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Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
Uma bolha de Direita?

Quem avisa amigo é!

26/07/2019 16h20

Hoje fiquei preocupado.

Essa preocupação, estranhamente, não era com a reforma da previdência ou com pautas econômicas. Era com o comportamento da direita, principalmente a direita mineira e belo-horizontina.

Estamos nos isolando, em bolhas. Só nos relacionamos com quem é de direita. Se você dialoga com quem não é da bolha aprovada pela direita, a autointitulada verdadeira, está errado.

Em Belo Horizonte essa situação se agravou ainda mais após a inauguração do “O Destro Bar”, o primeiro bar de direita do Brasil. Com esse bar, todos os encontros dos “direitistas” passaram a acontecer ali. Tomar uma cerveja com os amigos? “Destro”. Relaxar pós semana de trabalho? “Destro”. Não sei o que? “Destro”.

Veja bem, não estou dizendo para deixarem de ir ao Destro. Os produtos ali são bons, vale a visita. A crítica desse texto não é ao Destro, que fique claro.

A mais grave consequência desse isolamento, indubitavelmente, é a perda de contato com o povo e com a realidade da sociedade. Aquilo que ela necessita, deseja e, que de fato, precisa ser alterado. Rompendo esses contatos, pessoas como o atual prefeito de BH, Alexandre Kalil, que foi eleito na onda anti-petismo – a onda da não política – prefeito que aprovou um novo Plano Diretor que acaba com a construção civil, tenta regular o Uber, dificulta o empreendedorismo e institui burocracias inúteis. Tal figura política é tida como de direita, exclusivamente por ser contra o Partido dos Trabalhadores.

É, caro leitor, você provavelmente está em negação. Como alguém assim é visto como de direita?

Explico: a criação de bolhas sociais na direita gera isso. O distanciamento da realidade gera isso. O cidadão médio, por via de regra, não sabe o que significa a fundo conservadorismo político, conservadorismo moral, instituições sociais, minarquismo… e por aí vai.

Na realidade, essas pessoas querem saber do bolso delas. De como a vida delas melhorou, se o preço do gás diminuiu/aumentou, se o Uber aumentou e por que está mais demorado, etc. Ou seja, essa grande parcela da sociedade ainda não é, ideologicamente, de direita. E ao nos isolarmos, negamos conquistá-los ideologicamente, assim como explicar e ensinar o que é o pensamento de direita. É nesse vácuo de consciência, diálogo e conhecimento, que figuras como Kalil pairam no imaginário popular como direitista, uma coisa que ele não é.

“Ah, mas estamos acostumados com infiltrados! Vai dar tudo certo”…

Meus amigos – permitam-me a liberdade -, esse isolamento vai refletir muito em breve, quando a população começar a sentir e perceber que uma pessoa tida como de direita está tomando atitudes que diminuem sua qualidade de vida. Consequentemente, irão buscar uma outra via, uma outra representatividade, que dificilmente será a direita. Foi isso que aconteceu com a esquerda, perderam sua base. Evoco aqui o preciso discurso do Mano Brown:

“Se o pessoal daqui falhou, agora vai pagar o preço. Porque a comunicação é alma, e, se não está falando a língua do povo, vai perder mesmo, certo?”

Ainda está cedo para corrermos risco de “pagar o preço”, contudo, é sempre melhor prevenir do que remediar. Por isso, devemos buscar dialogar com a população e, principalmente, mostrar resultados.

Temos as ferramentas para nos comunicarmos? Sim, temos. A Internet é uma delas. Já cometemos erros nela, transformamos o debate em circo e negamos o diálogo saudável. Era “Holiday humilha membro do movimento negro”, “Kim Kataguiri destrói Carina Vitral”, aí descia óculos e “Turn Down for What”.

Admito, é divertido de ver. E sim, teve um papel importante: afastar a esquerda do poder. Entretanto, a realidade atual é outra. Agora, cabe a nós assumir nossos erros, aprender com eles, entender as necessidades da sociedade, dialogar e mostrar resultados. Não podemos permanecer nessa guerra constante, que, no fundo, acaba sendo contra nós mesmos.