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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Tsunami ou marolinha da educação?

#13A – Sem reforma, sem educação!

13/08/2019 17h13

Parece que 2019 está um looping, todo mês eu me deparo escrevendo ou gravando um vídeo sobre alguma manifestação estudantil.

Neste terceiro ato de estudantes, profissionais da educação e movimentos sociais, vulgo nossos partidos políticos que atuam dentro das universidades através de entidades estudantis que dizem representar os alunos, como a UNE e a UBES. Os protestos, atos ou passeatas que estão acontecendo no país não vem com tanta força e números como os do inicio do ano. As pautas se misturaram, viraram tantas em meio as bandeiras partidárias que vou fazer um lista (não é uma Wish List, mas ta valendo):

  • Contra os cortes do governo Bolsonaro: quando eu achava que a guerra CORTES X CONTINGÊNCIAMENTO tinha passado, pelo jeito, ainda não…
  • Contra o projeto FUTURE-SE;
  • Contra a Reforma da Previdência;

Claro que não pode faltar a pauta partidária, né?! Lembrando do 15 de maio que era pela “educação” também, mas acabou virando o “Ele Não” da Educação.

O PT, o PSOL, PDT e a CUT marcam presença nas ruas, mas talvez não seja só em prol da educação, meus queridos, saibam que o grande objetivo é gritar contra a Reforma da Previdência. Agora fica o grande questionamento, o que motiva nossos estudantes a irem contra uma reforma que até deputados de esquerda, uma minoria sensata mas existente, aprovou, foi lá e votou favorável? A esquerda que já foi elogiada pela sua organização e capacidade de fazer barulho e mobilizar, está se perdendo, o discurso está ficando mais disperso e a força de mobilização está cada vez mais escassa.

Hoje, aqui na USP Leste a aula quase foi na rua, mas o reflexo na sala de aula mostrou bem o que acontece em quase todas as greves universitárias. Os alunos não vão para a aula porque é greve, mas também não vão para greve porque preferem ficar em casa. Vendo a concentração de alunos para ir da faculdade até o MASP, deu para ver a pequena adesão de meia duzia de pessoas que escolheram pela terceira vez no ano irem para as ruas “lutar por educação” (ou contra a Previdência).

A UNE convocou o tsunami, mas recebeu só a marolinha. O estudante não pode se deixar enganar por essa propaganda que estão indo lutar por educação, quando na verdade são utilizados como massa de manobra para o discurso contra a previdência e o Future-se, não sei se é dificuldade de compreensão, falta de leitura ou não querer aceitar que finalmente o governo acertou em um projeto. Os “argumentos” contra o Future-se são: não podemos aceitar o programa pois será basicamente passar para a iniciativa privada tudo o que temos na Universidade hoje, deixar de financiar um projeto em detrimento de outro. Me parece que as pessoas com esses argumentos rasos não querem livrar as universidades das amarras do dinheiro público, mas (aquele MAS com bastante intonação) se não tiver aumento de investimentos vão reclamar e seu houver corte, vão reclamar também.

Os estudantes estão neste exato momento que escrevo se movimentando nas ruas contra a Reforma da Previdência que agora entra em trâmite no Senado, mas parece que falta compreensão que a unica maneira de evitar cortes (e não contingênciamento) na educação é com a Reforma, pois o contingenciamento foi feito nas despesas discricionárias, mas as despesas obrigatórias só podem ser alteradas por meio de uma PEC e a única PEC que busca reduzir os gastos obrigatórios é a PEC da previdência. O contingenciamento foi feito para que não seja ultrapassado a taxa de crescimento da dívida pública, porque isso quebra o teto de gastos.

Deixo aqui a recomendação de um IGTV (um dia me renderei aos encantos), de um estudante como eu e líder do MBL São Paulo – Guto Zacarias, onde ele fala sobre as manifestações que estão ocorrendo hoje e o Future-se.

E lembre-se: Se correr, a previdência pega. Se não reformar, a previdência come – Sem reforma, sem educação!