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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Tabata Amaral ainda é a brisa em meio ao governo?

Saída do PDT, cota nas eleições, FMI e a bancada feminina.

16/10/2019 13h31

Uma coisa é fato, tudo o que vem da Deputada Federal Tabata Amaral virá “hit” talvez pelo fato de ter “batido de frente” com seu próprio partido (PDT) diversas vezes e por ser um dos símbolos femininos da renovação na política Nacional.

Em sua participação no programa Roda Viva da TV Cultura, Tabata fez uma fala digamos que infeliz. Eu, Júlia, assim como ela, me considero grande incentivadora do protagonismo feminino na política, mas sem vitimismo, por favor. Tabata se posiciona no programa falando que toda crítica dentro da política que ela recebe é por ser mulher e ser jovem.

Atualmente, 77 mulheres representam alguma parcela da população na Câmara. Temos exemplos de parlamentares mulheres e jovens com atuação exemplar, como a Deputada Luísa Canziani (PTB-PR), eleita a congressista mais jovem do Brasil, que tem como a principal pauta a educação, assim como a Deputada Tabata; também podemos citar a Deputada Greyce Elias (Avante), única mulher eleita pelo triângulo mineiro.

Enfim, temos outros exemplos de parlamentares mulheres jovens que atuam de forma impecável. É injusto da parte de Tabata jogar no colo de uma classe ainda pequena, porém crescente um problema que vem sendo exclusivo dela.

A esquerda alienada deve ter se sentido traída pela decisão da saída de Tabata do PDT, entretanto uma coisa é fato, ambos os extremos políticos estão rachando e o centrão aumentando, e isso é ótimo, pois é no centro que os diferentes e as diferenças podem conversar, e é com o diálogo que vamos mudar o país.

A decisão de pedir a desfiliação de seus respectivos partidos veio após apoiares a reforma da Previdência e serem punidos. A punição da Deputada Tabata Amaral que tinha duração de 2 meses, já chegou ao terceiro mês. Ao total foram sete parlamentares que anunciaram ontem seu desligamento:

  • Tabata Amaral (PDT-SP);
  • Marlon Santos (PDT-RS);
  • Gil Cutrim (PDT-MA);
  • Flávio Nogueira (PDT-PI);
  • Felipe Rigoni (PSB-ES);
  • Rodrigo Coelho (PSB-SC);
  • Jefferson Campos (PSB-SP).

Tabata criticou o modelo do PDT falando que quando a gente quer boa política ele não funciona, mas, me questiono se realmente ela achou que poderia mudar o partido do Brizola e Getúlio, se gosta e quer tanto a boa política, por qual motivo não foi para um partido que também pregava isso? Enfim, a indagação do momento é para qual partido a mulher que já foi chamada de “uma brisa em meio ao atual governo” irá levar o novo ar da tão falada boa política.

BANCADA FEMININA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS:

Hoje temos a maior bancada feminina na Câmara dos Deputados de todos os tempos, mas quando comparamos nossos dados pela ONU Mulheres, dos 174 países analisados em 2017, nós ocupamos a 154ª posição no ranking de participação de mulheres no parlamento.

Das 513 cadeiras da nossa Câmara apenas 15% é composta por mulheres, ou seja, apenas 77 mulheres fazem parte da bancada feminina e 43 são deputadas de primeiro mandato.

As principal pauta da bancada é a luta para redução da violência contra a mulher.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI) E GEORGIEVA:

Kristalina Georgieva, assumiu ha duas semanas a diretoria do Fundo e fez uma fala marcante direcionada as mulheres no primeiro dia da reunião semestral da assembleia do FMI:

“Não aceite ganhar menos do que seus colegas homens. Jamais!” – quando exercendo a mesma tarefa.

Foi um discurso bastante forte sobre igualdade de gênero, além de firmar um compromisso pessoal de instaurar ações para melhorar essa quadro, ela cita o próprio FMI como exemplo da pequena participação feminina, onde apenas 25% das posições mais altas do Fundo são ocupadas por mulheres.

Como sempre falamos de uma polêmica aqui neste blog, Georgieva abordou um tema que muito se fala aqui no Brasil – cotas – cotas para mulheres, principalmente, ela afirma que não é o ideal, mas que é caminho de adiantar/acelerar a equidade para os cargos de chefia.

Eu como mulher, já me peguei pensando diversas vezes sobre o tema da cota para as mulheres, tanto para eleições quanto para cargos de chefia. Claro, hoje a palavra DIVERSIDADE virou carro chefe de todos os processos seletivos que estão acontecendo, mas não podemos nos limitar apenas a isso.

Sobre o assunto eleição, a cota de 30% para candidatura de mulheres a principio me pareceu algo bonito e vistoso, entretanto fui questionada pelo Pedro D’Eyrot e me elucidou um ponto de vista que eu nunca tinha enxergado antes. Vou perguntar para você leitor o mesmo que me foi perguntado: “Em quantas mulheres você votou para estar defendendo cota?” Eu votei em UMA mulher em toda minha vida e não foi pelo fato dela ser mulher que ganhou meu voto, foi por suas propostas e é assim que tem que ser!

Não é “forçando” a participação de mulheres na política através de cotas que nós vamos conseguir uma bancada feminina com 50% dos parlamentares. Uma coisa é fato – Não existirão candidaturas laranjas se existirem mulheres que queiram fazer boa política!

Eu não votei em uma mulher para me representar na Câmara dos Deputados na última eleição porque essa mulher que pensa e age parecida comigo não se candidatou. Não é na base da força ou na base do grito que o número de mulheres na política continuará crescendo, mas sim na base da competência e da coragem de ser protagonista em um espaço novo e desafiador.

A atuação das mulheres na política tem que deixar de ser uma pauta da esquerda, como é levantada pela Tabata Amaral no Congresso e pela Isa Penna (PSOL) na ALESP. Nós somos 52,2% da população, a casa do povo na legislatura atual ainda não é reflexo absoluto da população – talvez nunca seja – mas essa bandeira não é nem da esquerda e nem da direita – é do Brasil.