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Professor de filosofia, jornalista e diretor do movimento Neoiluminismo. Entusiasta da filosofia, [geo]política, economia e literatura.
Se você não é Bolsonaro, é velha política, tá ok?

Luciano Hung acusa de velha política quem não é bolsonarista

03/08/2019 11h20

Nesta quinta-feira (01 ago. 2019), o ex-candidato à presidência da República, João Amoêdo, deu uma entrevista ao Valor Econômico e um dos destaques, foi a declaração: “o Novo é muito diferente de Bolsonaro”.

Amoêdo é o presidente e fundador do partido Novo e sua declaração, apesar de chocar algumas pessoas, não tem nada de novo. Sempre foi muito claro que o partido tem distinções ideológicas e propositivas em relação a Jair Bolsonaro (PSL).

As maiores semelhanças que podem ser vistas é na economia, mas isso nem diz respeito ao Bolsonaro e sim ao seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Assim como o Novo, Guedes também é um liberal convicto e entende a necessidade de diminuir o Estado brasileiro, que se tornou um Leviatã incontrolável.

“Do ponto de vista econômico há um time de muita qualidade na Fazenda, no Banco Central, uma equipe técnica. A reforma da Previdência foi muito bem conduzida sob o ponto de vista técnico. Temos um avanço também nesta parte de conceito, com um Estado com menos intervenção, mais liberdade, como está em andamento a MP da Liberdade Econômica.”

Como é notável nas falas de Amoêdo, seu alinhamento com a gestão do governo Bolsonaro está muito mais atrelada à economia, que diz respeito a Paulo Guedes. Mas isso também não é nada novo, essa ala do governo é reconhecidamente uma das melhores do governo.

“Meu desagrado maior é em relação à postura do presidente, de continuar selecionando pautas que não são prioritárias, pautas ainda de campanha, de divisão da sociedade, com tanta coisa importante que precisa ser feita no país. É aquela dúvida que sempre fica: até que ponto ele faz porque é natural dele ou é uma coisa pensada, uma estratégia para manter seu grupo original, o que lhe deu apoio no início da candidatura, e se isso seria uma resposta a esse grupo. Mas qualquer uma dessas duas alternativas é muito ruim, porque a gente continua num ambiente de campanha quando o Brasil, na verdade, precisa ter um ambiente de construção, e não mais de polarização. Faltam pessoas próximas ao presidente que lhe deem essa recomendação. No início do mandato vimos que pessoas próximas estavam orientando mal o presidente, com essa guerra ideológica e esses embates.”

Amoêdo deixa claro que sua insatisfação é com grupos da ala ideológica ligada ao olavismo. Essa ala realmente sempre fez mal para o governo, liderada por um astrólogo biruta que brinca com uma massa a sua disposição.

Mas o Novo não se coloca como uma oposição contra o governo, pelo contrário, é um dos partidos que mais apoia pautas importantes no Congresso.

“Estamos apoiando pautas econômicas e que vão trazer o Brasil para um ambiente de crescimento, responsabilidade fiscal, menos burocracia. Isso é muito diferente de outras pautas. Somos muito diferentes do bolsonarismo na forma de lidar, com diálogo, com construção. O perfil do Novo é muito diferente do perfil da Presidência. Agora nas reformas da Previdência, tributária, liberdade econômica, o Novo será muito atuante.”

De acordo com o presidente do partido, o Brasil elegeu um “mito” e isso difere da proposta do Novo, que está calcada em princípios. Mas parece que nem todos entenderam isso.

O “véio da Havan” (Luciano Hung) respondeu a entrevista de Amoêdo da seguinte maneira:

“Se o novo é diferente do Bolsonaro, então ele é velho. Para mudarmos o Brasil precisamos de coragem. Chega de chuchu e bananas (?).”

Vamos ignorar o oportunismo de Hung e concentrar em sua fala. Não é necessário mostrar que o Novo é novo, mas que o bolsonarismo não é tão novo assim.

Fora os 27 anos de carreira no Congresso, colocando praticamente toda sua família na política, somente no seu mandato, pode ser vista a “velha política”. A reforma da Previdência estrelou várias cenas da velha política. Por exemplo, a concessão que o presidente fez de tudo para dar aos agentes de segurança, que já tinham um programa diferenciado.

Bastou alguns representantes chamá-lo de traidor que o presidente foi correndo ligar para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para injetar um privilégio na PEC da reforma. Acabou a mamata?

Parece que só começou. O patrimonialismo é uma característica da velha política e parece que Bolsonaro sempre gostou dela. Colocar toda sua família na política era um sinal disso, mas indicar seu próprio filho que mal sabe falar inglês, não tem experiência nenhuma com a carreira diplomática (além de fritar hambúrguer em uma lanchonete que não tem hambúrguer) foi a maior demonstração da velha política presente em um velho político brasileiro.

A velha política não é ruim em si, a articulação e negociação (e não a corrupção) fazem parte da própria política. Mas demonizar ela e acusar os outros de forma pejorativa enquanto o próprio presidente faz coisas absurdas é uma desonestidade vergonhosa, muito comum em oportunistas e velhos sofistas.