fbpx
Acadêmico de Direito, filiado ao Cidadania, Editor do MBL News e Comentarista do Café com MBL.
Reflexões sobre a nova pesquisa do Atlas Político

A pesquisa aborda diversos pontos da política nacional

02/08/2019 18h47

O Atlas Político divulgou nova pesquisa sobre o atual cenário político brasileiro, em tempos onde todos rogam ser representantes do povo, do Brasil ou do brasileiro, amostras como essa são colírios para os olhos do ceticismo.

Antes de tudo, vamos ao lastro da pesquisa, já que há uma direita que não confia nem que a terra é geoide: a amostragem teve 2000 respondentes, com recrutamento online realizado entre 28 e 29 de Julho e nível de confiança de 95%.

Antes de tudo, vamos ao lastro da pesquisa, já que há uma direita que não confia nem que a terra é geoide: a amostragem teve 2000 respondentes, com recrutamento online realizado entre 28 e 29 de Julho e nível de confiança de 95%.

A pesquisa aborda diversos pontos da política nacional, mas vou me ater à popularidade de alguns: Moro, Bolsonaro, Haddad e Rodrigo Maia.

Sérgio Moro:

No ápice da sua popularidade, Moro marcou 61,5% de aprovação (abril-19), hoje tem 51,4%. Com a rejeição do ex-juiz aumentado a passos largos, Moro vive o seu pior momento perante a opinião pública.

Os motivos são óbvios: os vazamentos iniciados pelo The Intercept e a rala confiabilidade das respostas de Moro. Sim, as supostas mensagens dos Hackers não são provas, ao menos por ora. Mas isso arranhou a imagem de Moro.

Jair Bolsonaro:

Pela primeira vez a rejeição de Bolsonaro está empatada com a aprovação. Não é ruim pra ele, há método (diria o outro).

Ele mantém os já famosos 30% que acham o governo dele ótimo/bom, público que deve o conduzir a um novo mandato, gostem disso ou não.

Os acenos dele a esse publico são evidentes, ele sabe que tem uma orla de ministros qualificados que podem tocar o seu bom plano de governo enquanto ele toca a campanha de reeleição, acirrando sempre o clima de polarização pela polarização e taxando tudo que não é adesista de inimigo publico.

Fernando Haddad:

O ex-pior prefeito da história de São Paulo (o “ex” não é por ele não ser mais prefeito, e sim por não ser mais o pior, que agora é Bruno Covas). Vive um momento curioso.

Historicamente, o candidato derrotado no segundo turno vira líder oficial da oposição (ao menos na teoria), não é o caso do quase esquecido Haddad, colocado na pesquisa por puro capricho.

Haddad, representante do lulismo, é menos popular que o ex-presidente e menos rejeitado que o atual presidiário. Típico do tom apático e clichê que o PT “adotou” após o impeachment de Dilma: não propõem nada que não seja a soltura de Lula, sempre de maneira reativa à política econômica de Temer e Bolsonaro, colecionando derrotas crassas no legislativo e perdendo apoio popular.

Rodrigo Maia:

De fato, essa é a minha maior surpresa na pesquisa. Maia, goste ou não, vem segurando as pontas da Republica a um bom tempo, desde o governo Temer vem aprovando medidas extremamente impopulares e continuou a fazer o mesmo no governo Bolsonaro.

Foi fiador da reforma mais importante dos últimos tempos e seguirá sendo o da reforma tributária, além de extrema desenvoltura no que tange à liturgia do cargo e no bom tom que toca como os poderes devem dialogar entre si.

A ele a opinião publica relegou meros 15% de aprovação e escandalosos 60% de rejeição! Claro que a “percepção de corrupção” de Maia ajuda nisso, mas, sem um fato concreto para incrimina-lo, eu esperava mais sobriedade na avaliação.

Extra:

Há boas noticias na pesquisa. 51% são favoráveis à prisão de Lula, 48% não querem a deportação de Glenn Greenwald e 62% reprovam a ideia de que Eduardo Bolsonaro se torne embaixador.

O povo (o da pesquisa – plural e abrangente – e não o da boca de qualquer um) sabe das coisas, não é a voz de Deus mais mostra o caminho de como as mensagens estão sendo passadas, do modo que cada peça do tabuleiro político se move e a efetividade dos movimentos.

Dizia Malcolm-x: “Não condene se você ver que uma pessoa tem um copo de água suja, apenas mostrar-lhes o copo de água limpa que você tem. Quando inspecioná-lo, você não vai ter que dizer que o seu é melhor”.