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Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
Passou o dia 26, e agora?

A tônica das manifestações do último domingo foram as reformas

29/05/2019 18h00

Passadas as manifestações do dia 26, realizadas em prol do Governo Bolsonaro, como fica a situação das reformas e dos projetos que o Brasil tanto precisa? Afinal, foram por essas mudanças que, aparentemente, as pessoas tomaram as ruas.

A tônica das manifestações do último domingo foram as reformas, ameaçadas como estão diante da falta de articulação do Planalto, para com o Congresso Nacional. Uma pauta um tanto quanto democrática, até este ponto. No entanto, não encontramos uma solução para a falta de articulação. Pelo contrário: a população foi jogada – ou se lançou e deixou ser lançada – contra o congresso, sendo este o ponto em que reside o problema.

Um problema recorrente nas militâncias populistas, tanto de direita quanto de esquerda, são as massificações dos pontos de vista e dos discursos ideológicos. Querer ir contra o sistema é uma pauta recorrente em ambos os lados, sendo a única exigência a escolha do seu time; portanto, uma vez escolhido, defenda-o com o todo o coração. Queira e exija reformas; queira intervenção; fechamento do congresso. É sua a liberdade de expressão, e ninguém pode suprimi-la.

Utilizando da mesma liberdade, informo que esses discursos prontos, reacionários e com tom de guerrilha não agregam em nada ao debate público. Da mesma maneira, não acrescentam no processo de aprovação e trâmite da reforma da previdência, tampouco do pacote anti-crime. Já possuem a resposta para isso, os jogadores do xadrez 4D, “se não der certo, fechamos o congresso” – escutei isso de vários participantes e de vários organizadores. Triste engano!

A reforma da previdência e as manifestações.

Diversas questões apontam na cabeça dos brasileiros. Nos questionamos como essas manifestações poderiam ajudar na previdência social. Idealizamos como jogar a população contra o Congresso Nacional, e como isso poderia ser benéfico. Como renegar a política ajudaria?

A inadequação do discurso reacionário de Direita esteve muito presente na manifestação do dia 26. Intervencionistas pediram fechamento do Congresso enquanto reformistas pediam pela aprovação do Congresso, tal como das reformas tão importantes para o país, e, ainda, se manifestando com pessoas que renegam qualquer tipo de política – até mesmo a boa. Não tem muito sentido, não que se importem, na verdade. Apoiar Bolsonaro, ir contra o “centrão” – mesmo que diversos deputados dele apoiem as pautas – é o que importa. Governar pelas ruas, é por isso que estavam ali.

O discurso menos político e mais “ação”, por assim dizer, é importante e bom? Sim, é bom para candidaturas e importantes para promover candidatos. Entretanto, para aprovar reformas não é tão positivo. Vimos isso hoje (27) pelas declarações de alguns deputados (ver links):

https://www.oantagonista.com/brasil/lider-do-psb-o-governo-vai-mal-e-precisa-comecar-a-trabalhar/

https://www.oantagonista.com/brasil/quando-o-governo-tensiona-o-outro-lado-responde-diz-lider-do-podemos/

https://www.oantagonista.com/brasil/lider-do-pdt-nao-sei-como-os-partidos-de-centro-vao-reagir-a-essa-hostilidade-toda/

https://www.oantagonista.com/brasil/cria-um-clima-de-que-vamos-votar-porque-pressionaram-isso-nao-e-bom-e-nao-e-verdade-diz-lider-do-pros/

Mas, onde quero chegar?

Esse tipo de retórica irá gerar – e trombar – em diversas crises político/institucionais, primeiro os “líderes”, que foram nas manifestações, estavam presentes buscavam aumentar seu capital político visando às eleições municipais do próximo ano (2020). Lembrem-se de John Stuart Mill: “Uma pessoa com crença tem poder social igual a 99 que só tem interesses. ”

Pela falta de crença, o movimento fica perdido e recai nas incoerências de pauta e discurso que citei acima. Veremos isso mais claramente em futuros atos, caso existam. Além disso, como segunda consequência, temos os desgastes gerados, internamente (no Congresso), pela falta da capacidade de articulação. Política não é, e não deveria ser, um jogo de futebol. Na política não existe time vencedor e perdedor: existe uma nação que prospera ou se arruína.

Para suprir a falta de lideranças e de articulação, resta-lhes apenas o culto ao líder. Para fins didáticos, a concentração do poder na imagem de um líder maior, nesse caso, o Presidente Bolsonaro e os Ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes. Inflamados pelo discurso Jacobino, uma máquina virtual forte e algum aparato partidário. Esse tipo de manifestação personalista pode servir para um fortalecimento do Executivo em detrimento do Legislativo, pode ser utilizada para concentrar poder. Espero – e acredito – que isso não aconteça, entretanto não é uma hipótese a ser, totalmente, descartada.

Veremos como o Legislativo irá responder, como o Estado Democrático de Direito se comportará e como as reformas serão afetadas. A reflexão que fica é: houveram manifestações, grande parte pediu e clamou por pautas republicanas, sim. Houve, também, encontrões e bate cabeças nos discursos e no tom adotado, sim. Por mais irracional que sejam esses discursos, eles cativam, eles inflamam e, contra eles nas ruas, a razão dificilmente sobreviverá.

Lutemos pela conscientização.