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Professor de filosofia e diretor de jornalismo do MBL. Entusiasta da filosofia, [geo]política, economia e literatura.
Os bons companheiros em: o início de uma nova velha política

As raízes do filé mingon na República das bananas

04/10/2019 14h12

Não é de hoje que um acordão entre os três poderes vem sendo denunciado pelo MBL e figuras importantes da política brasileira. Crusoé, o Antagonista, Felipe Moura Brasil, Vera Magalhães, Diogo Mainardi e muitos outros.

Os indícios são numerosos. Desde maio, a política passou a apresentar fenômenos estranhos. Foi justamente neste mês que bolsonaristas foram às ruas pedir pela CPI Lava Toga, que investiga o judicário e, principalmente, os ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ideia da CPI, todavia, não é nova. Pelo menos desde fevereiro de 2018, Claudio Dantas e outros jornalistas já mencionavam a Lava Toga, dizendo (em notícia do Antagonista), o seguinte: “a CPI da Lava Toga vem aí”. E ela está vindo, dependendo apenas de mais uma assinatura de algum senador que não tenha o rabo preso.

Bom, esse um senador deveria ser, sem dúvidas, o filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio. Bastaria que ele assinasse para ser aberto o inquérito de investigação. Ao contrário disso, Flávio não assina e ainda faz campanha contra a CPI, gritando e xingando a senadora Selma Arruda para que ela não assinasse.

Após a ocasião, a parlamentar deixou o partido do presidente (PSL) e migrou para o Podemos. Mas por que Flávio se esforça tanto para que os ministros do STF não sejam investigados?

Talvez porque o presidente da Suprema Corte, Dias Toffoli, tenha suspendido as investigações do extinto Coaf sobre o caso queiros. Também pode ser pelo fato de Flávio manter um contato próximo com Gilmar Mendes, que também mandou suspender as investigações…

Falando em ‘extinto Coaf’, vale lembrar que foi o presidente que fez uma MP para extinguir o órgão que investigava seu filho. Ainda está na memória dos brasileiros a manifestação do dia 26, na qual bolsonarista pediam “Coaf com Moro”.

Mas não vou me prolongar pra mostrar todas as evidências do acordão aqui, já temos um ficheiro que explica muito bem o esquema:

A questão principal aqui é: Bolsonaro é a representação da derrota do povo brasileiro.

Como assim? O brasileiro tem uma mania antiga de eleger políticos populistas; isso vem desde a era Vargas, que se inspirou no populismo italiano de Mussolini.

Na prática, o político se coloca como um representante do povo na luta contra a classe política corrupta que ocupa o poder; o establishment ou ‘estamento burocrático’, embora não sejam a mesma coisa.

O fato é que podemos pegar vários presidentes pós Vargas (com exceção de FHC, que não era tão populista assim) e traçar um paralelo mostrando que eles têm mais em comum do que imaginamos, independente da ideologia ou convicções.

O paralelo mais claro, sem dúvidas, é entre Bolsonaro e o petista carcerário, Lula. Na década de 90, ambos tinham um discurso bem radical, mas deram uma moderada quando fizeram a campanha presidência que os elegeu.

Enquanto Lula e o PT foram influenciados por Raymundo Faoro, Bolsonaro foi influenciado por Olavo de Carvalho, que por sua vez, também foi influenciado por Faoro. Mas que influência é esse? Justamente a apresentação da ideia de estamento burocrático e patrimonialismo.

A conciliação dessa ideia com o populismo funcionou perfeitamente tanto para Lula, quanto para Bolsonaro. Os ‘homens do povo’ se colocaram como os heróis na luta contra a corrupção e ‘tudo o que está aí’.

No final, após eleitos, os populistas sempre se tornam um esquema tão ruim quanto o antigo ou pior. Quem paga o pato, são os brasileiros, eternos reféns de um estamento burocrático que sempre se consolidou por causa de uma confiança em promessas superficiais.

O político não é quem combate a corrupção, o povo é que precisa fiscalizá-lo o tempo todo, pois ele está lá para nos servir e não o oposto.

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