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Onipotente, onipresente e onisciente

Nós deputados não somos deuses e a Câmara não é um Olimpo

05/06/2019 12h57

Ao contrário do que muitos colegas meus pensam, nós deputados não somos deuses e a Câmara não é um Olimpo.

Entretanto, muitas vezes, nos são exigidas características de uma divindade que estão no título da coluna, e gostaria de explicitar isso. Vamos lá!

onipresença – capacidade de estar presente em todos os lugares – pelo fato de que nós deputados temos de estar presente em mais de uma comissão ao mesmo tempo, uma vez que somos membros de diversas comissões e muitas delas ocorrem simultaneamente.

Obviamente não conseguimos acompanhar todas elas o tempo todo, e aí se faz presente o papel do assessor parlamentar, que tem a obrigação de acompanhar as comissões que o deputado não pode estar presente e briefar o parlamentar do que aconteceu.

Além disso, no caso das comissões em que é dificultada a entrada de assessores (normalmente as que se convoca um ministro de Estado), meus assessores acompanham do gabinete através do YouTube, já que a Câmara tem um canal no site e transmite por lá essas reuniões.

onisciência – capacidade de ter conhecimento abundante sobre todas as coisas – é uma capacidade que parece nos ser cobrada quando votamos e relatamos diversos assuntos. Sempre digo nas minhas entrevistas que o deputado aqui na Casa tem que ser “clínico geral”, deve entender um pouco de tudo para poder votar matérias que muitas vezes não são de domínio dele.

Ora, se não conhecemos de todos os assuntos, como podemos votar e relatar matérias que não são do nosso domínio? Os deputados têm ao seu dispor uma assessoria extremamente qualificada para ser assistido nos mais diversos assuntos. Ele tem i) sua assessoria particular de gabinete, podendo ter até 25 assessores de livre escolha; ii) a assessoria do seu partido, não posso falar sobre todos, mas os que conheço são muito capacitados; iii) a consultoria da Câmara dos deputados, profissionais do mais alto gabarito, concursados e especialistas em diversas áreas.

Por fim a onipotência – capacidade de poder fazer tudo -, um erro clássico de muitos parlamentares e de muitos eleitores na hora de nos cobrar. É necessário entender a existência da chamada tripartição do poder, ou seja, muita coisa que às vezes os deputados querem fazer é de competência do executivo ou do judiciário, e isso acontece dos outros poderes para conosco também.

Além disso, também tem o fato de existirem diferentes esferas do poder. Por mais que a esfera federal seja a mais alta delas, ainda assim temos que respeitar o que é de competência dos estados e munícipios, ambos são entes federativos consagrados na nossa constituição.

Logo, podemos ver que de onipotente, onisciente e onipresente, nós deputados não temos nada… no máximo, onívoros!