Bacharelando em Relações Internacionais. Produzo artigos no Neoiluminismo.com. Um sionista entusiasta da filosofia.
O totalitarismo de estimação da esquerda

A mania da esquerda de romantizar o papel abjeto do comunismo no século XX é um mal a ser exposto e expurgado de uma vez do debate público.

19/01/2020 17h39

A pauta da semana é a horrenda propaganda do agora ex-Secretário da Cultura, Roberto Alvim, e as estrondosas alusões nazistas presente na peça publicitária do governo.

Já publiquei minha percepção dessa deslizada notória de um governo que é incessantemente acusado de nazista pela inflamatória retórica histérica da esquerda aqui e, de forma breve, podemos dizer que as constantes derrapadas do governo se concretizam simbolicamente nessa situação surreal proveniente de um admirador de Olavo de Carvalho, que até disse que iria provar pro “Professor” Olavo que estava bem da cabeça.

Hoje, quero de falar de algo tão grave quanto: a passada de pano da esquerda para os horrores causados pelo comunismo.

Para ilustrar o tema desse texto, trago a recente tuítada dec Nil Moretto, figura conhecida no eixo cibernético:

“Existe muita diferença entre um regime autoritário que mata e o nazismo que foi uma linha de montagem de genocídio. Pelamor, não passe vergonha endossando o embaixapeiro nas besteiras em que ele acredita”, disse ela.

Primeiro, vale enfatizar aqui o tema central que quero trazer aos olhos do leitor: a tentativa desesperada e “normalizada” da esquerda de minimizar os “feitos” sombrios do comunismo, como se o número (geralmente estipulado de 110 milhões, mas que contém variações, a depender do historiador) de mortos fosse um mero acidente na gloriosa estrada trilhada pela libertação do proletariado.

Vamos a fala de Nilce. Quando ela diz que “[e]xiste muita diferença entre um regime autoritário que mata e o nazismo”, ela está tentando elencar um ponto capaz de tornar assimétrica qualquer comparação entre regimes comunistas e o nazismo. Que critério ela elenca? O ponto vem logo em seguida: “[o nazismo] foi uma linha de montagem de genocídio”.

O nazismo foi, sem dúvidas, uma “linha de montagem” estruturada para implementar políticas de morte. Como eu mesmo falo em um dos meus artigos disponíveis no blog do Instituto Neoiluminismo:

O regime nazista, principalmente no implemento da sua “solução final”, é caracterizado não só pela ausência de uma condição civil mínima, mas pelo uso sistemático da força no intuito de destruir quaisquer relações de direito na sociedade. O regime nazista, então, é aquilo que Kant denomina em seu livro Antropologia de um ponto de vista pragmático (1785) de barbarismo: força sem liberdade e sem lei.

Assim, tal característica do nazismo é inegável. Mas o mesmo pode ser dito do regime comunista!

Para citar um exemplo, temos o genocídio reportado historicamente de forma ampla dos tártaros da Crimeia, que começou com campanhas estruturadas pelo Estado Soviético e emissão de ordens de deportação em massa, a fim de promover uma limpeza étnica no território da URSS. A mesma coisa pode ser dita dos chechenos, dos inguches, dos alemães de volga, dos calmuques e dos carachais.

O Holomodor é o caso paradigmático da sistematização totalitária do regime stalinista e exemplifica as consequências de regimes totalitários no geral. O subjugo do povo ucraniano à fome extrema e contínua foi a forma cruel de instaurar tal política da morte. Da mesma forma que o trabalho forçado e a inferiorização proveniente da vida sub-humana nos campos de concentração serviram de método para instauração de uma política de morte.

A comparação é mais do que meramente análoga, é mandatória: exprime o cerne de regimes totalitários.

E aqui se faz valer a outra suavização do comunismo que pessoas como a Nilce tendem a fazer: ela usou o termo autoritário ao invés de totalitário. É um uso estratégio, já que o autoritarismo tem um teor menos íntimo com a repressão do indivíduo quanto o termo totalitarismo tem.

Mas, como bem sabemos, o regime soviético foi, em todos os sentidos da palavra, totalitário. Até mesmo um dos mais conhecidos pró-soviéticos. o célebre internacionalista E. H. Carr, em sua obra “The Soviet Impact on the Western World“, crava a concisa qualificação do regime soviético como uma espécie de totalitarianismo.

Assim, não posso senão ter de concordar com a fala de Renan Santos:

A mania da esquerda de romantizar o papel abjeto do comunismo no século XX é um mal a ser exposto e expurgado de uma vez do debate público. Mal esse que a direita liberal tem como missão desmantelar e exibir em sua essência para que passadores de pano, seja de qual regime totalitário for, sejam expostos pela imundície que é minimizar os horrores do século XX.