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Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
O Mito Bolsonaro e o Presidente Jair

Uma visão platônica da presidência e dos problemas que afligem o Brasil.

28/10/2019 20h39

As eleições de 2018 culminaram na vitória de Jair Bolsonaro, eleito o 38o presidente do Brasil. Durante sua campanha, o atual presidente adotou um discurso de enfrentamento ao establishment e ao status quo. Tomando como referência as formas de discurso Aristotélicas – ethos, que apela para a ética; páthos, que apela para a emoção; e logos, que apela para a razão – é perceptível que o presidente adotou o páthos, o discurso mais aceitado. “Ta achando ruim? Vou mudar tudo”.

Apresentou-se como um grande apoiador da operação Lava Jato, do combate à corrupção e do fim da impunidade, chegando até a indicar Sérgio Moro para o cargo de Ministro da Justiça. Apresentou-se como um “outsider”, aquele que sempre foi incompreendido dentro do Parlamento por não se misturar com velhas práticas — há diversas declarações do atual presidente nesse sentido. Além disso, Bolsonaro personificou o sentimento do cidadão médio que foi às ruas contra o PT, utilizando-se de uma retórica agressiva e contundente, somada a respostas “na lata” e politicamente incorretas impulsionadas pelas redes sociais. Vídeos como “Bolsonaro destrói Jean Willys” tornaram-se comuns. Era uma fala do presidente, desce óculos preto e “turn down for what”… que mitada!

Assim surgiu o mito Bolsonaro. E tendo passado exato 1 ano da eleição do mito, como estamos?

Imagine, leitor, que o mito tenha um irmão gêmeo chamado Jair. Ele foi deputado por 7 mandatos e durante 28 anos de parlamento sempre representou interesses de uma corporação: os militares. Empregou diversos parentes em seus gabinetes (que sempre foram lotados) com total desrespeito ao dinheiro do contribuinte. Em alguns casos, esse mesmo Jair votou junto com o Partido dos Trabalhadores – o qual seu irmão, Bolsonaro, jurou derrotar nas eleições.

Além disso, esse tal Jair – que homem complicado – teve o filho, Flávio, denunciado em um suposto caso de “rachadinha” pelo COAF.

Em uma família que jurou combater a corrupção, o esperado era que, no mínimo, apoiassem as investigações. Mas não. Jair, irmão do mito, deu seu jeito de acabar com o órgão fiscalizador, blindando o filho por meio de um acordão com o STF. Nesse acordão, Jair abriria mão do combate à corrupção, nomeando Augusto Aras (homem famoso por dar festa à cúpula do PT) para PGR, mesmo que para isso tenha que desmerecer Deltan Dallagnol (homem da Lava Jato). Além disso, aprovaria a Lei do Abuso de Autoridade, aumentando a impunidade. Como se não bastasse, ainda fez com que seu outro filho, Carlos, apagasse um Tweet favorável a prisão em segunda instância. Ademais, que pedisse desculpas por tal, publicamente. Algo jamais visto na relação dos dois.

E, por falar em relação de pai e filho, devo dizer que Jair gosta de dar filé mignon para os filhos, como ele mesmo admitiu. Não que isso seja um problema em âmbito familiar. Afinal, o direito da família brasileiro reconhece que o pai (progenitor masculino) pode beneficiar quem quiser em questões de herança, alimento e tudo mais. O problema surge quando se utiliza da máquina pública para benefício particular, num típico caso de patrimonialismo, um mal que assola o Brasil desde a sua formação e, em grande parte, é o responsável pelo nosso subdesenvolvimento e pela nossa cultura cleptocrata.

Além de tudo, Jair tentou indicar seu terceiro filho, Eduardo, para a embaixada brasileira em Washington, a embaixada mais importante da nossa república. Tal fato não compete um ato ilegal, mas certamente imoral. Afinal, Eduardo não possui qualificação para tal embaixada, destacando-se seu inglês deprimente.

É, leitor… no exposto encontra-se o dilema enfrentado pelo brasileiro. Votamos no mito, elegemos o Jair. Depositamos nossa fé na mudança e recebemos mais conchavos e acordos, mais do mesmo. Estamos prestes a ver o STF acabar com a prisão em segunda instância, com silêncio absoluto do Planalto. Aprovamos, finalmente, a reforma da previdência, mas uma reforma desidratada. Que assuma Bolsonaro e que se afaste o Jair, ou a república ideal permanecerá no mundo das ideias.