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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
O ‘irmão do Renan’ e os canalhas de aluguel

Autoritários mudam de cor mas não mudam de endereço; havia o cara do boné vermelho no caminho

02/07/2019 02h05

O ataque dos “camisas brancas” do “Direita São Paulo” no último domingo não é exatamente novidade para o MBL. O padrão executado — convocação violenta do líder (Olavo), agressão gratuita em bando (DSP) e vitimização pós-fracasso — é comum em grupos autoritários, e já vivemos na pele procedimento similar ainda em 2015.

O caso foi bem simples. Durante o acampamento organizado pelo MBL, na frente do congresso, houve uma série de entreveros com parlamentares petistas na Câmara dos Deputados; um deles, Sibá Machado, perdeu a paciência e avisou: “Eu vou juntar gente e vou botar vocês pra correr daqui de frente do Congresso. Bando de vagabundos. Vamos pro pau com vocês agora“.

Essa foi a convocação à agressão — como Olavo fez em seu twitter. No dia seguinte, um grupo de capangas do MTST invadiu o acampamento do MBL e partiu para a violência pura. Foi um show de horrores. Achavam que iríamos arregar, julgando que fôssemos um bando de moleques de classe média mimados. Deu ruim. Resistimos, colocamos a quase centena de pelegos para fora na base da inteligência e mantivemos o acampamento — e a dignidade — de pé. O vídeo abaixo é bem ilustrativo sobre o episódio:

Veja momento de mais uma agressão covarde do MTST. Membros e apoiadores do MBL SENTADOS e de COSTAS para os vermelhos. Uma verdadeira resistência pacífica. Ao final do vídeo uma das moças de vermelho chuta Renan Santos pelas costas. É essa a democracia vermelha? Bem que Sibá Machado Oliveira chamou pro pau mesmo.

Posted by MBL – Movimento Brasil Livre on Wednesday, October 28, 2015

Após o fiasco, apenas chororô na imprensa. “Ah, o MBL agrediu os pobres coitados!”, “Esse MBL é fascista! Atacaram o MTST”. Presumiam que deveria caber a nós o papel de vilão derrotado, posto que ousamos pensar diferente dos agressores. Ah, a insubmissão! Como explicar isso para os autoritários?

O expediente era puramente covarde. Jogaram pessoas frágeis, personalidades fragmentadas, mentes confusas contra nós naquela tarde. Eles não sabiam bem por que agrediam; eram movidos por um ódio desarticulado, vítimas de um discurso fácil. Eram robôs. Foram pagos? Muito provavelmente. Sumiram de lá após o conflito.

O que ocorreu no último domingo é uma versão gourmetizada da investida de Sibá Machado. Digo isso pois a mortadela dos invasores era um pouco mais … substanciosa. Jhonatan, militante favorito do deputado Douglas Garcia, recebe cerca de R$11 mil reais como assessor na liderança do PSL. Trabalha para Gil Diniz — o tal “carteiro reaça” — mas clamou por seu “chefe” Douglas Garcia logo após ser detido pela polícia. Para uns, soou como “carteirada”. Para outros, demonstração de afeto sincero.

E aí? Foi carteirada?

Carteirada ou não, Jhonatan e seus amigos tentaram “botar pra correr” o MBL da manifestação. Em bando, portanto cartazes, mandando ‘tomar no cu’ e empurrando famílias, a vanguarda do conservadorismo olavista partiu pra porrada e intimidação. Repito: numa manifestação pacífica, que corria na mais absoluta normalidade. Soa normal para você?

O opressor favorito de Garcia e seus colegas pareciam não se conter; desabavam sobre membros do MBL e gente que lá estava. Procuravam briga — e conseguiram. Após agredirem um rapaz de boné vermelho, tiveram seu cartaz por ele arrancado. Foram pra cima e a confusão começou.

Eu não estava por ali. Houve alguma bagunça envolvendo eles, o pessoal ao redor e membros do MBL. Ao final, sob vaias, os ditos “opressores” terminaram detidos pela polícia. Um encerramento bastante humilhante para quem se propôs a nos humilhar. O rapaz do boné vermelho, ao que tudo indica, ficou com o cartaz arrancado. E tirou sarro do ocorrido.

Pronto! Tal qual seus irmãos de autoritarismo, os invasores ~patriotas~ deram o primeiro golpe e correram para posar de vítima. O que faziam ali, câmeras em mão, cartazes com ofensas, agressões contra gente do MBL? Procuravam um “debate honesto e aberto”? E por que o foco no rapaz com o boné escarlate, primeiro a ser agredido pelos ditos “representantes do povo”?

Como muitos já sabem, o cara com boné vermelho é o meu irmão, Alexandre. Alguém não muito conhecido, por vezes até incógnito em meio ao mundaréu de gente conhecida fora do movimento. Para dentro, porém, seu papel e relevância é outro. Alexandre é o coração do MBL. Sem ele, o grupo sequer existiria.

Não deixa de ser irônico que fora o mesmo Alexandre, ainda em 2015, o primeiro a ser agredido pela gangue do MTST em frente ao congresso nacional. E que tenha sido ele a organizar a linha de defesa dos brasileiros de verde e amarelo que acampavam sob o implacável sol do planalto central. Alexandre foi quem manteve o espírito de todos aceso enquanto muitos dos acampados corriam temendo o pior. Foi graças a ele que os pelegos vermelhos voltaram para casa derrotados.

Olha aí o ‘cara do boné vermelho’ em meio a confusão.

Agora, em nome da “narrativa” , Alexandre é o vilão escolhido. De acordo com os pacíficos agressores — homens de bem, conservadores varonis! — ele cometeu o crime de ter arrancado um cartaz de uma malta de funcionários públicos em busca de aventura. E pronto! Tá justificado! Tinha que expulsar o MBL dali!

Triste o país em que a honra sucumbe ao like e a verdade sucumbe ao meme. Perante os templários de rede social, Alexandre é a desculpa do momento. Mas quer saber? Dane-se. De branco ou de vermelho, “patriota” ou “socialista”, o autoritário da ocasião voltou pra casa frustrado. E isso é o que importa no final do dia.