fbpx
Acadêmico de Direito, filiado ao Cidadania, Editor do MBL News e Comentarista do Café com MBL.
O espectro do ambientalismo

Na ultima eleição, os partidos ambientalistas ficaram com 67 cadeiras do Parlamento Europeu, 15 a mais do que na antiga legislatura.

09/08/2019 19h45

“Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo.” Foi com essa frase que Karl Marx e Friedrich Engels iniciaram, em 1848, o Manifesto do Partido Comunista. Dois séculos depois, a frase já não faz sentido, mas se mudarmos “comunismo” para “ambientalismo”, por mera opção literária, podemos tem um bom diagnóstico político.

Na ultima eleição, os partidos ambientalistas ficaram com 67 cadeiras do Parlamento Europeu, 15 a mais do que na antiga legislatura.

O avanço da direita autocrata ainda é a marca da Europa e do mundo, mas “os verdes” vêm em notável avanço de agenda e boa parte das propostas deles, ao menos para o Brasil, é defensável no lado direito da força.

Agropecuária, desmatamento e agrotóxicos.

Segundo o site do Ministério da Agricultura, de 1997 a 2017 o Brasil exportou 1,23 trilhão de dólares, e o agronegócio foi o setor que mais contribuiu para a balança comercial e para a economia brasileira. Há excessos? Sim. Mas joguemos a água fora, preservemos o bebê.

A somatória das áreas protegidas e preservadas brasileiras dá quase 50% do território nacional, o equivalente a 28 países da Europa. Já não há margem para ataques desmedidos à agropecuária nacional sem afetar a nossa economia.

Sobre agrotóxicos, fala-se muito, mas fala-se mal. De 1980 até hoje, a produção de arroz no Brasil aumentou 43%, mas a área destinada a esse cultivo caiu 70%. Os pesticidas ajudam a combater o desmatamento, elevaram o número de pessoas no planeta terra e barateiam a produção de alimentos.

O grande problema está na correta aplicação do pesticida, já que a fiscalização fica a cargo do governo brasileiro, sempre moroso e leniente com maus procedimentos. NÃO há estudos que relacionem agrotóxicos e câncer e apenas 1% da população mundial consome alimentos orgânicos, que são mais caros e causam mais doenças.

Por outro lado, o desflorestamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação ao mesmo mês de 2018. Necessidade não há, pois temos tecnologia que favoreça a agropecuária sem a utilização de técnicas de desmatamento.

Crise climática, poluição e inovação.

O mundo está no meio do que pode ser a década mais quente já registrada, de acordo com um estudo do Met Office – o serviço meteorológico do governo britânico, mas o novo diretor do INPE diz que “aquecimento global não é minha praia”.

Segundo o Ministério da Saúde, mortes devido à poluição aumentaram 14% em dez anos no Brasil. Nem a àgua nacional fica em pune, já que a poluição é palpável em boa parte dos rios e mares brasileiros e uma pesquisa da fundação SOS Mata Atlântica revelou que 70% dos poluentes vêm do esgoto doméstico e os outros 30% do lixo.

Doria prometeu despoluir o Rio Pinheiros até 2022 e a gigante estatal chinesa CRCC afirmou ter interesse em participar do processo de licitação. Boa noticia para os amantes de Locke, Smith ou Mamãe Falei, já que a estatal chinesa emprega 300 mil pessoas e fatura US$ 110 bilhões anuais em negócios diversos de infraestrutura além de ter experiência em projetos de despoluição.

Inovação tecnológica e parcerias do estado com a iniciativa privada devem dar o tom de um ambientalismo à direita.

O panorama nacional e o conservadorismo de Roger Scruton.

Infelizmente Ricardo Salles e Jair Bolsonaro demonstram pouco engajamento para mudar esses fatores de uma maneira sustentável.

O que é errôneo até do ponto de vista ideológico: do que vale conservar as tradições, a cultura e as instituições, se já não há mata nativa, oxigênio de qualidade ou rios e mares límpidos?

Basta ver quem jogou o meio ambiente às favas: a China comunista, onde apenas 1% dos 560 milhões de habitantes de algumas cidades do país respira “ar seguro”, de acordo com a União Europeia.

Roger Scruton em seu magnifico “Como Ser Um Conservador”, dedica um capitulo inteiro a questionar as coisas boas e as ruins do ambientalismo e demonstra preocupação por os conservadores não se apoderarem dessa causa. Pra variar, Scruton tem razão.

Aos liberais, Guto Zacarias incluso, cabe dizer que, sem um agenda séria no meio ambiente, o mundo nos renegará economicamente. A capa desta semana da The Economist traz o título “Relógio da morte para a Amazônia” e fala que “Os parceiros comerciais do Brasil devem fazer acordos atrelados a seu bom comportamento”.

Scruton sintetiza como os conservadores e liberais devem tratar o ambientalismo na palavra grega oikophilia. Isto é: o amor que se tem pelo lar.

Se não for pela estética conservadora de Scruton, que seja pela economia liberal da The Economist e companhia.