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Formado na Faculdade de Direito do Recife. Perdido entre a poesia de Manuel Bandeira e a de Marília Mendonça. Só bebo em copo americano.
O Curioso caso da direita Benjamin Button

A direita que ja nasceu velha

23/07/2019 17h37

Desde o surgimento de uma oposição (digamos) intelectual e de manifestações de rua contra o petismo e a esquerda, o Brasil tem observado (empolgado ou assustado) a um fenômeno totalmente novo, ao menos, para as pessoas da minha geração.

A “Nova Direita” quebrou o monopólio do politicamente correto, ocupou espaços na mídia, no mercado editorial e no debate público; alçou voos políticos inimagináveis há 5 anos e acabou ocupando boa parte do congresso e, olhe só, o Palácio do Planalto.

Mas o que fez a esquerda, que detinha total hegemonia política e social, perder em um período de apenas 4 ou 5 anos, seu reinado absoluto?

As patacoadas econômicas de Dilma Roussef, que levaram o país à ruína foram catalisadores do processo. Sem dúvida.

Digo mais, talvez tenham sido a verdadeira motivação de grande parte dos indivíduos que aderiram ao antipetismo, à guerra cultural, etc e tal.

Mas economia é boooooooring. E o fenômeno todo precisava de uma casca ético-política.

Era preciso de um engajamento discursivo não técnico, mas sócio-político para a nova direita.

E, o que vimos, foi uma sociedade cansada (veja bem, cansada) de uma esquerda que parecia ter, depois de mais de décadas, se apropriado do poder no Brasil e que passou a trata-lo como seu quintal.

Ninguém aguentava mais a esquerda, especialmente o governo petista.

Não havia mais paciência para:

– A defesa canina e irracional dos governistas às falhas do seu líder político máximo

– O aboletamento de incompetentes e militantes ideológicos em cargos de aspones, com o claro objetivo de tornar o governo federal um cabide de empregos para os amiguinhos, independentemente de sua capacidade intelectual e operacional

– O uso do Estado como instrumento de um projeto ideológico descolado dos anseios da imensa maioria da população, para o agrado da militância histérica

– Os ataques injustificados e diuturnos à imprensa, bem como o uso de poder e dinheiro estatal para pressionar as opiniões dissidentes

– O benefício de amigos do rei e parentes, através do Erário

– Os intelectuais orgânicos (mais orgânicos que intelectuais) a soldo do governo

– Os MAV’s, fanáticos imbecis e robôs atacando qualquer dissidência nas redes sociais

– A militância a favor do governo, independente do que ele faça

Todos esses fatores, fizeram a esquerda cair vertiginosamente do Olimpo brasiliense e deram espaço a uma “nova direita”.

O problema é que, com certa condescendência do respeitável público, a nova direita que chegou ao poder, nem é muito direita e nada nova.

Tanto o governo, quanto seus apoiadores (a quem carinhosamente chamo de cartucheiras de bandido) têm repetido as mesmas práticas de patrimonialismo, anti-republicanismo e partidarismo cego das forças ideológicas que as precederam e foram listadas acima.

Em muitos aspectos, o Bolsonarismo parece não seguir o petismo, mas ter pego todos os seus vícios no ponto do caminho onde o petismo os deixou.

– Ah, mas o petrolão, a corrupção, o mensalão….

O petrolão não é origem do mal.

É consequência quase natural de um governo que não sabe onde acaba o privado e começa o público e conta com uma base histérica de militantes abobalhados, todos prontos a acariciar lhes as genitais, independente dos abusos que tenham cometido.

A corrupção financeira nada mais é do que o aspecto contábil do patrimonialismo hediondo.

E, nem acho que seja seu aspecto mais asqueroso.

Se nós, a maioria silenciosa, que nem é petista, nem é tiete de picareta, nos calarmos… ficaremos refém dessa curiosa direita Benjamin Button.

Uma direita que acaba de nascer, mas já apresenta todas as marcas da velhice.