fbpx
Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
O Circo Político perdeu a graça!

E o que a “mea culpa” do MBL diz a respeito.

01/08/2019 19h10

Aristóteles, em sua teoria política, defende que o homem é um animal político por natureza. É, terei que discordar do grande filósofo grego. Não, nós não nascemos políticos. Não existe uma substância “política” no nosso DNA. A política é o resultado da forma que interagimos com o outro, seja ele situação ou oposição, com a cidade e com o poder. Dito isso, vale uma retrospectiva de como foi a interação entre os dois espectros políticos, direita e esquerda. Em primeiro lugar, devemos ressaltar que a Direita se consolidou como um espectro independente em 2014, na época do Impeachment. Desde então o diálogo público se polarizou e foi simplificado, em função da necessidade de tirar o PT do poder. Tal polarização, à época, era necessária, pois a população encontrava-se em estado de repouso político e era fundamental despertá-la e transformar a sociedade civil em uma sociedade organizada. Entretanto, tendo vencido o Partido dos Trabalhadores e seus satélites, acirramos ainda mais os ânimos, continuamos a atacar, em nome da limpeza do Brasil – e entre nós, por dar mídia, views e ser divertido. E essa limpeza, teoricamente, acabou em 2018. Elegemos um presidente de Direita! Um congresso comprometido com nossos valores mais sagrados! Vitória!

– Err…espera aí…vamos com calma…

Vamos analisar a interação política?

– Qual?

Aquele diálogo, embate de ideias em busca de uma solução comum para os problemas do país, aquela conversa propositiva. É, ela não existe…estamos estagnados em um terceiro turno infinito. A saga do Bolsonaro vs PT continua, com ataques dos dois lados. O grupo de verde e amarelo

 mita pelas redes sociais, ovaciona tudo que o presidente faz e diz, com um entusiasmo que passa da medida. Exemplo disso é o show de horrores do PSL na reforma da previdência. O grupo de vermelho lacra nas redes sociais, faz textão, grita “resistência!”, faz uma oposição sem responsabilidade e critica todas as atitudes, mesmo aquelas que defendiam enquanto governo.

Resumindo, os dois polos estão em guerra. Cada um puxando mais a corda da democracia, criando um vácuo de diálogo cada vez maior, transformando a política em circo, numa rede de mitadas e lacres.

É, caro leitor, o circo perdeu a graça.

Precisamos reformar o país! E para isso precisamos da política, precisamos da interação entre todas as partes. Para isso, temos que sair do circo, temos que encarar com responsabilidade e seriedade o debate. Apresentar soluções sérias, possíveis e eficientes para os problemas que nos afligem.

A época das eleições acabou. E com isso iniciou-se a época de governar. E governar numa democracia exige, fundamentalmente, diálogo, respeito, condução e harmonização. Exige saber ouvir o diferente, harmonizar ideias distintas e conduzí-las de encontro ao melhor para o país. Mesmo que isso lhe custe preciosos likes, views e pontos nas pesquisas de popularidade.

E foi vendo a polarização e essa falta de resultados que, na minha visão, o Renan Santos colocou-se a refletir sobre o papel que o MBL teve nesse cenário. E o MBL foi o pioneiro nessa nova forma de comunicação: rápida, simples e eficiente. Foram os primeiros a transformar política em meme. De ínicio, os cards serviam como meio para se entender um fim. Entretanto, com a popularização desse meio de comunicação, o meme passou a ser a finalidade da política. Para entendermos o mal que o meme trouxe ao debate, devemos analisar três pilares da comunicação virtual:

1. Nesses tempos de modernidade líquida, há a necessidade de se ter opinião pronta sobre tudo;

2. Linguagem e explicação rasa de um problema ou de um fato;

3. Instigação de um discurso “nós contra eles”.

Ao explicar de forma rasa e carregar o leitor com uma opinião já formada sobre o assunto, acaba encerrando, em diferentes níveis, o raciocínio, o questionamento e o diálogo. É só encaminhar a mitada no Zap Zap e pronto, problema resolvido. Tendo em vista esse erro, o MBL se dispôs a mudar esse terraplanismo político. Assumindo assim, um papel de expor o problema, o diálogo e o resultado. Um defensor fiel dos seus ideais, sim.

Para finalizar e me desculpar com Aristóteles, deixo um ensinamento a qual concordo com o grego: “A injustiça se encontra nos extremos”. Buscaremos a justiça, buscaremos os pontos de concordância e, quando houver discordância, dialogaremos.