Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
O Brasil não tem que se meter na treta com o Irã

Não é correto transformar o Brasil em cadela internacional de Donald Trump

07/01/2020 14h01

Não somos inimigos do mundo islâmico. A bem da verdade, somos o principal exportador de carne Halal no mundo. Temos laços de amizade e mantivemos neutralidade histórica em conflitos que nada dizem à vida dos brasileiros e brasileiras.

Não precisamos nos posicionar estrategicamente junto ao governo americano. Isso é conversa mole — e ideologizada — de quem trata a política externa como chaveirinho de guru apocalíptico. Temos que exportar — vender, entregar, receber — produtos agropecuários, minério de ferro, aviões. Temos que gerar divisas, inserir o Brasil nas cadeias globais de produção — não nas redes globais do terrorismo.

Não somos um player político global. Mais que isso: não temos nada a ver com essa crise no Oriente Médio. Não nos interessa a mudança de perspectiva nas relações entre EUA e Irã nos governo Obama e Trump. Isso é — literalmente — problema deles. Não precisamos “sediar cúpulas sobre invasão do Irã” , tampouco nos alinhar automaticamente à política externa do mandatário americano.

Não é prudente atrair os olhos do terrorismo global para um país que mal consegue proteger sua população do crime organizado; que é incapaz de lidar com quadrilhas institucionalizadas como boa parte dos partidos políticos; que gasta mais com fundo partidário que saneamento básico. É tolo, é burro, é desnecessário.

Não é correto transformar o Brasil em cadela internacional de Donald Trump. Já cometemos este erro no último ano, e nos tornamos motivo de chacota na comunidade global. Não faz sentido adotar uma posição arrojada sem garantia de retorno proporcional — ainda mais diante de uma possível, até provável, resposta da China. Teremos que tomar outro pito público — global — de nossa maior parceira comercial?

O Brasil não tem que se meter nesta treta com o Irã. Não é problema nosso. Problema, sim, são aqueles que nos colocam nesta fria — Olavo de Carvalho, Eduardo Bolsonaro, Ernesto Araújo.

É contra eles — e suas ideias — que devemos devotar nosso bom combate.