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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Netflix Brasil financiou tese do golpe. Entenda a razão do boicote

Só na série de Padilha, a título de ilustração, gastou-se mais de R$15 milhões. Eles estão ‘comprados’ na tese do golpe

10/09/2019 17h29

Lançamos na última semana o documentário Não Vai Ter Golpe, contando a a história do impeachment de Dilma Rousseff sob a ótica dos brasileiros que saíram às ruas. O filme teve grande aceitação de público e imprensa, recebendo críticas positivas, e figura entre os mais vendidos nas listas de VOD (Video on Demand) da última semana.

Do Google Play ao iTunes, Não Vai Ter Golpe foi aceito como obra. Apenas uma empresa negou trabalhá-lo em seu catálogo: a famigerada Netflix. E por que tal recusa?

É complicado entender os meandros da gigante norte-americana de Streaming. A Netflix não se coloca como agente político, mas são claras as tendências ideológicas refletidas em seu catálogo. Mais do que isso, os pendores progressistas ficam ainda mais nítidos quando observados os produtos ‘Netflix Originals‘, aqueles financiados pela empresa. Salvo raríssimas excessões, sempre apresentam tendências à esquerda.

No Brasil, o exemplo mais claro é a transformação do impeachment de Dilma Rousseff em ‘golpe’ por parte do PSDB e PMDB. Tanto ‘O Mecanismo‘, de José Padilha, quanto ‘Democracia em Vertigem‘, de Petra Costa — produtos financiados pela Netflix — apresentam, com alguma variância, a mesma tese: um governo relativamente corrupto sendo derrubado por uma armação entre Aécio Neves e Michel Temer.

Dilma Rousseff é retratada como vítima. O povo que saiu às ruas nas maiores manifestações da história é esquecido. As peças, como um todo, são complementares em suas tentativas de estigmatizar o processo como um golpe de estado, onde um povo inerte e adormecido assiste uma troca de cadeiras no poder liderada por políticos corruptos e derrotados.

Nesse sentido, Não Vai Ter Golpe serve como sopro de verdade para as narrativas mentirosas da Netflix: além derrubar o papel protagonista de Aécio, demonstra que as ruas — e novos agentes políticos que surgiram no processo — carregaram o impeachment nas costas.

Até por isso, é tese que deve ser escondida, jogava pra baixo do tapete: além de não interessar politicamente, acaba com o investimento feito pela gigante no Brasil. Só na série de Padilha, a título de ilustração, gastou-se mais de R$15 milhões. Eles estão ‘comprados’ na tese do golpe.

Pena que a Amazon Prime está chegando. Grandes novidades nos aguardam por lá!