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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Não se perca no caos! 5 pontos a se observar na crise dos vazamentos

Nessa bagunça, não seja massa de manobra do petismo.

10/06/2019 16h41

Pois é galera. A recente crise de vazamentos do site Intercept — baseados em invasões criminosas de aparelhos celulares — detonou um processo perigoso onde as investigações da operação Lava Jato, como um todo, terão sua legalidade e legitimidade questionadas.

Os desdobramentos serão muitos. Desde CPI na Câmara dos Deputados — contando com a convocação de Moro e Dallagnol — até eventuais absolvições de condenados pela operação, colocando fogo nas relações entre as principais instituições da República.

Além disso, a narrativa do golpe, levantada com tanta intensidade pela esquerda, ganha importante impulso com os vazamentos; a ideia de que Lula foi retirado das eleições “ilegalmente”, ou mesmo de que o impeachment foi uma “farsa forjada pela Lava-Jato” tornam-se um pouco mais palatáveis para o grande público.

Por tudo isso, é importante manter a temperança em meio ao caos. Assim, listei aqui 5 pontos a serem observados para que você não seja feito de bobo em todo esse processo:

(1) As provas e elementos que prenderam os alvos da lava-jato continuam existindo e foram referendadas por diversos tribunais

Vamo lá: isso aqui é meio óbvio. Ainda que eventuais descobertas escandalosas surjam no meio do caminho, devemos analisar objetivamente as denúncias e condenações da operação lava-jato. E nesse sentido, o conteúdo probatório é mais do que farto — É ESCANDALOSO. Não à toa, as condenações preferidas na vara de Sérgio Moro foram mantidas e até aumentadas pelo TRF4, STJ e STF em inúmeras ocasiões. O duplo grau de jurisdição está aí justamente pra isso. No caso dos condenados, até por sua natureza política, outras tantas instâncias recursais apreciaram as denúncias e sentenças. A ideia de que “gente de bem” foi alvo de uma operação política maldosa não se sustenta.

(2) Existe uma guerra de informação pelo renascimento do lulismo.

Não é possível avaliar o tamanho dos desdobramentos jurídicos dos vazamentos. Mas seu principal impacto — independente de uma reviravolta processual — se dará especialmente em outra área: na redenção de Lula como força política “sabotada” por uma operação política.

Devemos lembrar que o petismo tratou a Lava-Jato como arma política de oposição a Lula desde o seu início; vínculos foram traçados entre Moro e PSDB, Moro e CIA, Moro e empresariado. Nada foi comprovado. Passaram anos atirando a esmo, na base da “tentativa e erro”, até que finalmente, — graças ao trabalho de um hacker — acharam uma narrativa pra chamar de sua.

Lula continua condenado. Com provas. Foi também o líder maior de um sistema complexo e multibilionário de compra de apoio política utilizando-se de empreiteiras e estatais. Muito ainda surgirá sobre ele nas investigações em curso. É contra isso que os vazamentos se insurgem: joga-se uma investigação complexa na vala comum do “quanto pior melhor” e de lá, do fundo da lixeira, o nobre vagabundo ergue a cabeça, altivo, pronto para voltar ao jogo. É um perigo que não pode ser ignorado.

(3) Declaração de Moro sobre congresso preocupa. CPI vem aí

Dentre todas as conversas expostas pelo Intercept, a que mais preocupa é a declaração do então juiz, datada de 2016, tratando do Congresso Nacional. Moro disse:

“Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o Congresso. O melhor seria o Congresso se autolimpar, mas isso não está no horizonte. E não sei se o STF tem força suficiente para processar e condenar tantos e tão poderosos.”

Eu entendo a colocação do juiz. Era necessária uma limpeza — em termos republicanos, lembremos — num congresso desmoralizado e envolvido no maior escândalo de corrupção da história. Ainda assim, a declaração sugere uma visão política de Sérgio Moro — não necessariamente uma atuação de magistrado, nota-se — , e tal intenção é suficientemente forte e polêmica para justificar uma convocação para esclarecimentos em uma eventual CPI.

(4) Invasões hackers ocorreram apenas em figuras da direita. O que vem por aí?

Nos últimos dias, foram reportados pela imprensa diversas tentativas de invasão do aplicativo Telegram de figuras conhecidas da direita brasileira. Fernando Holiday, do MBL foi atacado em março; Danilo Gentili, do SBT, na semana retrasada; Sérgio Moro na última semana. Rumores vão na linha de que sites de notícia como o Antagonista e outros procuradores da Lava Jato foram alvo de procedimento similar.

Os vazamentos tem objetivo político e extrapolam a Lava Jato. Seu objetivo é destruir a direita brasileira. Mais: é comprovar uma tese — a de que os “hackeados” trabalharam em conluio no “golpe” contra Dilma a Lula. Tendo em mente tais informações, é possível compreender quais serão os próximos passos e intentos dos envolvidos nesse crime. Tudo passa pela redenção de Lula e por jogar a direita brasileira no corner. Temos que reagir.

(5) Alguns agentes políticos ganham com o caos. Quem seriam eles?

O caos costuma favorecer dois tipos de agente político: os fomentadores da cizânia, que vivem de tal expediente, e os detentores dos meios de ação, para dar fim ao caos. No primeiro grupo, temos a esquerda lulista, que perdeu força midiática e política. É válido lembrar que mesmo no Congresso Nacional sofrem assédio do grupo de Ciro Gomes. A bagunça instalada ajuda a levantar suas teses. Além deles, formadores de opinião inimigos da Lava-Jato, políticos e empresários afetados pela operação, setores do MPF preocupados com a sucessão de Rachel Dodge e teóricos da conspiração defensores do fechamento do congresso e STF — dentro da direita, principalmente — ganham com isso. Suas narrativas se fortalecem.

No segundo grupo temos o presidente da República e seu time, que passaram incólumes pelas invasões e hackeamentos; temos o Congresso Nacional, que possui agora as justificativas para um ataque aberto ao lavajatismo; o STF, que vê renovadas suas teses de enfrentamento contra exageros cometidos pela força tarefa; e, por fim, o grande empresariado, interessado em dar fim à instabilidade em nome das reformas.

Não listei ainda o alto comando das Forças Armadas — o bonapartismo por excelência — pois assistem o processo de longe, do alto da colina. Não sabemos como se posicionarão no momento devido — ainda que as ameaças veladas do general Villas Boas ao STF, em 2018, digam muito sobre o lado que ocupam. É aguardar e ver.

Conclusão

Tenham sempre em vista que este é um evento político complexo, mas intencional. Tem começo e meio, e com certeza chegará a um determinado fim. Tudo leva a crer em uma ação política articulada da esquerda brasileira contra a operação que mudou a história do país. Houve erros e excessos? Não duvidamos.

Mas jogar a operação na mesma vala comum do PT e seus asseclas criminosos não é apenas burro: é mortal para um país que tenta sair do buraco. Cabe ao povo brasileiro — sempre ele! — preparar sua trincheira e lutar o bom combate. Tempos ruins surgem no horizonte…