Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Moro fica?

Cego pelo Medo, Bolsonaro pode tirar de Moro tudo, mas terminar com nada

24/01/2020 11h43

A guerra fria envolvendo Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro torna-se drama que consome o governo. O ministro da justiça jamais pronunciou-se com veemência quando sabotado pelo presidente; foi assim ao perder o comando do COAF, ao assistir as intervenções do presidente na Polícia Federal e perceber, impávido, um petista como Aras sendo nomeado para a PGR.

O ministro, porém, sabe jogar parado. Espera o melhor momento para a agir, exercitando a paciência. Foi assim no jogo de gato e rato com Lula na Lava Jato; não seria diferente ao confrontar-se com os avanços bolsonaristas em sua seara.

Diante de um presidente acuado pela iminente denúncia do MP ao seu filho, Moro veste sua armadura e parte para o campo de batalha. Não será ele a carregar o cadáver político de Flávio — tampouco abdicará dos números positivos na Segurança Pública. E até isso Bolsonaro insinuou retirá-lo.

Sem nomeação para o STF, sem a estabilidade de juiz, potencialmente esvaziado em suas atribuições, resta a Moro a presidência como resposta. Não deixa de ser irônico: encurralado, sua única saída é a vitória maior. Parece enredo de filme.

Já dizia Bob Dylan em sua seminal “Like a Rolling Stone”: Quando você não tem mais nada, não tem nada a perder.

Cego pelo medo, Bolsonaro pode tirar de Moro tudo e terminar com nada.