fbpx
Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Moro está levando bola nas costas. Ninguém vai falar nada?

Bolsonaro começou a trair a “revolução” que ajudou acalentar — e que dela se tornou beneficiário. Não espera-se que poderá fazer isso impunemente

07/08/2019 12h29

Sejamos diretos aqui: não adianta nada sair às ruas com cartaz “COAF com Moro” quando o próprio presidente da república — beneficiário maior desses atos de apoio — desmonta a estrutura montada pelo ministro. Isso não é opinião minha: é algo público e notório, perfeitamente atestado pela imprensa e por agentes envolvidos.

Bolsonaro quer a cabeça de Roberto Leonel, nomeado por Sérgio Moro para presidir o COAF. A razão? Leonel criticou a decisão de Toffoli — o capeta encarnado do “establishment do STF” — que beneficiava diretamente seu filho, Flávio, envolvido até o pescoço no escândalo do laranjal de Queiroz.

E veja só: Leonel NÃO ATACOU O GOVERNO. Não abordou Bolsonaro! Em grande medida, aliás, sua reclamação ecoa a linguagem franca do bolsonarismo em redes sociais. A existência, porém, de uma dissonância entre o que é dito no discurso oficialesco e o que é feito nos bastidores, foi a razão para a celeuma: na hora do “vamo ver”, a retórica jacobina cede à defesa inconteste dos filhos.

A grande massa da direita NADA FALA A RESPEITO. Mais: convoca-se manifestação em apoio ao presidente — e contra Dias Toffoli, inimigo pra inglês ver — enquanto Jair Bolsonaro sugere nomear André Mendonça, que trabalhara com o mesmo Toffoli, para ministro do STF. Tudo à luz do dia, enquanto dispara sua metralhadora de impropérios nas declarações oficiais.

Sérgio Moro está ficando menor ao redor do bolsonarismo. Está descobrindo, a duras penas, que o projeto de poder do capitão da reserva nada tem de “parceiro” com as demais forças que, direta ou indiretamente, o levaram ao poder. Bolsonaro e sua trupe querem hegemonia. E pretendem destruir qualquer concorrente que surja no caminho.

Moro é um deles.

Ainda irá demorar certo tempo até que tais contradições se tornem claras para o grande público. O eleitor anti-petista, em grande medida, enxerga a todos no mesmo “pacote”, de forma quase indistinta. Mas a natureza do processo — e a velocidade das redes sociais — irá cobrar seu preço na hora certa.

Bolsonaro começou a trair a “revolução” que ajudou acalentar — e que dela se tornou beneficiário. Não espera-se que poderá fazer isso impunemente. A histeria — e a história, lembremos — cobra.