fbpx
Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Moro candidato? É o que sugerem as mitadas no twitter…

Moro está fritando adversários nas redes. Qual a estratégia do ministro?

05/05/2019 16h45

Uma hora iria acontecer. O ministro Sérgio Moro, certamente contrariado num início de gestão ainda apagada, partiu para a porradaria política em seu twitter neste domingo:

Reporto-me a mensagens sugerindo providências contra declarações ofensivas contra mim exaradas por suposto comediante em um evento político-partidário “Lula livre”. Bem, penso que as declarações de baixo nível falam mais sobre o ofensor do que sobre mim.— Sergio Moro (@SF_Moro) May 5, 2019

A primeira vítima foi Gregório Duvivier, que lhe insultou novamente, desta vez em um ato pró-Lula. A resposta foi bacana — elegante até. O ministro da justiça, de fato, vem sendo atacado rotineiramente pelo comediante carioca, que insiste em ultrapassar a linha do bom senso em nome de sua causa política.

Não que eu veja problemas, que fique claro. Sou defensor da ofensa política e do humor cáustico. Mas não acho que Duvivier ganhe muita coisa com isso. Piada, quando se leva a sério, não costuma dar certo.

Na mesma toada, uma hora depois, Moro voltou a tweetar, dessa vez atacando — sem citar nomes — o petista Fernando Haddad, candidato derrotado à presidência.:

No ponto, bom lembrar que não fosse a vitória eleitoral do Pr Jair Bolsonaro, estaríamos hoje sob “controle social” da mídia e do Judiciário e que estava expresso no programa da oposição “democrática”. Aliás, @jairbolsonaro reafirmou hoje o compromisso com a liberdade da palavra.— Sergio Moro (@SF_Moro) May 5, 2019

É a primeira vez que vejo o juiz mesclando uma defesa do presidente da República com ataques ao já clássico adversário petista. Tudo à sua maneira, com certo ar de superioridade, distante do barraco carluxista. Sobre o tweet, não há muito que analisar; Moro rotula seu adversário de anti-democrático e tece loas ao compromisso de Bolsonaro com a liberdade da palavra.

O que nos interessa aqui, porém, é o interesse súbito do ministro pela polêmica em redes sociais. Novamente, fica meu aviso: não vejo nada de errado nisso, pelo contrário. Acho que o espaço público está aí pra ser usado. Me interessa notar a movimentação de Moro no tabuleiro eleitoral tendo em vista um possível azedamento de suas relações com o bolsonarismo, expresso em matéria no Antagonista, e o já notável isolamento de seu ministério, cuja principal proposição — o pacote anti-crime — pouco brilha em meio à Reforma da Previdência.

Além disso, supostas promessas não cumpridas, como a nomeação do novo PGR, alimentam um clima de desconfiança entre as partes; a possível retirada do COAF de seu comando, e até a separação entre justiça e segurança pública, conforme pleiteado por Major Olímpio no Congresso, ajudam a ilustrar o grau de isolamento — e por que não desprestígio? — de Moro no atual governo.

O que acho de tudo isso? Moro está em um momento de “baixa”. Não comunga dos mesmos valores do governo que tomou parte, ao passo que permanece nas pesquisas como a figura mais prestigiada da atual gestão. Já engoliu alguns sapos, e não parece disposto a engolir outros tantos. Ainda assim, sabe jogar o jogo: não irá tensionar publicamente com o presidente da república, o que seria um erro. Permanecerá como sombra, “disposto a auxiliar”, enquanto faz o reconhecimento de campo na seara das redes sociais.

Moro representa um projeto de poder apenas circunstancialmente aliado ao bolsonarismo. A Laja-Jato tem vida própria, brilho próprio. Suas ambições irão se chocar com as de Jair e seus filhos em algum momento. As partes sabem disso. Moro 2022 é uma hipótese forte demais para ser ignorada. Mesmo por Jair. Até agora, o juiz paranaense é o único capaz de invadir o eleitorado do capitão, como carga de cavalaria; resta saber as defesas que Bolsonaro e seu filhos armarão contra a investida de seu ministro.