Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Manuela d’Ávila quer violar a democracia

Dancinha ridícula incentiva guerra entre brasileiros ao chamar a todos de “estupradores”

09/12/2019 14h57

Foi sem surpresa alguma que no último final de semana presenciei o mais novo vídeo da comunista gaúcha Manuela d’Ávila. A vice do poste buscou inovar em sua linguagem feminista e importou ao Brasil a ridícula dancinha fascistóide “ El Violador es tu” , coqueluche nas depredações públicas de Santiago.

A canção que embala as feministas parte da premissa requentada do “a culpa não é minha” , mas inova em apontar os culpados: o violador (ou estuprador) agora é você, homem, inominado e generalizado. É também o policial, o estado e o presidente (lá, o já desgastado Piñera). 

Manuela não se fez de rogada; trouxe a canção e a dancinha ao Brasil — não sem antes ser auxiliada por um ridículo tutorial com movimentos da dança (não é piada) feito pela Folha de São Paulo

Em Porto Alegre, no último sábado, Manuela e suas feministas ensaiaram a versão brasileira num vídeo constrangedor que viralizou nas redes. A retórica explosiva foi mantida: além dos homens chilenos, agora os brasileiros são também estupradores. Seu pai? Violador. Seu irmão? Estuprador barato. Ninguém escapa da dancinha punitiva. A polícia e Bolsonaro foram jogados no mesmo balaio, garantido o sucesso (e a viralização) do convescote lacrador nas redes de esquerda.

Fala-se demasiadamente em polarização e linguagem explosiva no debate público. O MBL fez sua mea-culpa; Lula, bolsonaristas e a imprensa deram de ombros. A última, enquanto condena — corretamente, lembremos — os exageros autoritários da família presidencial, passa pano e até incentiva a retórica violenta de Manuela. Assim fica difícil defender.

Manuela quer mais briga, guerra e conflito. Quer sociedade fraturada, lacração e porradaria. É, lembremos, tudo o que os autoritários de Bolsonaro mais sonham. Manuela sabe disso.

Seu desejo, no fundo, é violar a democracia.