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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Macron e Bolsonaro: a saga das primeiras-damas.

A semana em que as primeiras-damas saíram do “trabalho social” e foram protagonistas: Amazônia, G7 e #DesculpaBriggite.

28/08/2019 12h44

Existe um momento do mandato em que as primeiras-damas costumam ser o centro das atenções: a posse do presidente.

Mas como nada em 2019 está exatamente normal, no Brasil já conseguimos ver Michelle Bolsonaro quebrando maravilhosamente o protocolo — e esta semana vimos uma grande movimentação de brasileiras emplacando a #DesculpaBrigitte no Twitter após um comentário infeliz de Jair Bolsonaro.

Aqui no Brasil ser primeira-dama é um status simbólico; não existe competências administrativas no governo, tratando-se apenas de atividade voluntária. As verbas para suas atividades — muitas vezes de cunho assistencialista — saem da cota destinadas ao Poder Executivo.

Além disso, Michelle Bolsonaro foi a primeira mulher de um presidente a fazer um discurso em cerimônia de posse, destacando-se também pelo uso da linguagem de sinais:

Já na França, não é a primeira vez que Brigitte Macron se torna o centro do debate. Em 2017, Emmanuel Macron tentou oficializar o cargo de primeira-dama, posto que no país tal cargo não é oficial. A ideia foi rejeitada com um abaixo-assinado com mais de 300 mil signatários. Parte da população considerou a atitude um ato de nepotismo — tema super atual no Brasil, não é mesmo? Eu não sou nada fã de utilizar o termo machismo, mas dar uma função para uma mulher só porque ela é casada com o presidente…

A fumaça e o destempero

Semana passada quando o céu ficou escuro as 15:00, eu nem imaginava o rebuliço que estaria por vir. A crise/polêmica das queimadas na Amazônia tornou-se o assunto da vez (Renan Santos escreveu um ótimo texto sobre o tema, confere aí). Chegou até a rolar um “giro das pautas” com o #MaisFundãoNão, mas não adiantou; uma semana se passou e a Amazônia — com direito a troca de farpas entre presidentes — ainda é o tema principal.

No sábado (24 de agosto) o presidente Bolsonaro apagou o comentário feito por ele no Facebook em resposta a um usuário que zombava da aparência de Brigitte e a comparava com Michelle Bolsonaro. A resposta de Jair ao comentário foi infame, assim como os outros incontáveis comentários desnecessários que já foram feitos em 8 meses de governo: “Não humilha cara. kkkkk”.

Como é de praxe, nossa pátria solidaria cheia de artistas não se calaria. Fátima Bernardes, namorada do Deputado Federal Túlio Gadêlha, 25 anos mais novo que ela, saiu em defesa de Brigitte em seu instagram:

A atriz e cantora Gretchen — que é quase uma embaixadora do Brasil — , sempre comentando os temas mais polêmicos em seu Twitter (e que também já fritou hambúrguer nos Estados Unidos), não ficou para trás e saiu em defesa de Brigitte:

Paulo Coelho também gastou o Francês para pedir perdão: “Desculpem-me, desculpem mil vezes. Esse é um vídeo um pouco triste, para pedir perdão a meus amigos franceses pela crise, diria, pela histeria de Bolsonaro em relação à França, ao presidente francês e à sua esposa”. “Enquanto a Amazônia arde, não possuem qualquer argumento e apenas insultam, negam, dizem qualquer coisa para evitar assumir sua responsabilidade”

Em Biarritz, os líderes das sete economias mais fortes do mundo se reuniram no G7, e em conferência, Macron comentou: “Bolsonaro fez comentários extremamente desrespeitosos sobre minha mulher”; “O que eu posso dizer? É triste, mas é triste primeiro por ele e pelos brasileiros. Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que tenham rapidamente um presidente que se comporte à altura.”

Em pleno século XXI, estamos vendo as primeiras-damas sendo usadas como instrumento para atacar presidentes. Enquanto no Brasil discutimos sobre a Amazônia, em Biarritz elas falam sobre preservação da água e dos oceanos.

Uma coisa é fato: as primeiras-damas que marcaram a história o fizeram por conta de sua personalidade ou beleza — Jackie Kennedy como exemplo maior disso — e não por um trabalho desenvolvido.

Talvez estejamos vivenciando um novo papel para função.