Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Lula muda de estratégia

Livre, leve e solto, encerrou seu vídeo prometendo “responder com amor ao ódio de Bolsonaro”

11/12/2019 14h04

Mudança de rumo na estratégia do PT. Após Lula voltar às ruas com discurso inflamado, prometendo transformar o Brasil numa gigantesca Santiago, parece que o petista resolveu adotar um novo caminho. É o que vimos em sua estréia como youtuber, no último domingo.

No vídeo, Lula abandona a retórica belicosa e parte para um estilo mais ameno. Com chapeuzinho e clima praiano, o ex-presidente discorre sobre diversos pontos, chamando a atenção, porém, quando aborda a questão do pacote anti-crime e sua relação com o Congresso.

Ali vemos o neo-lulismo sendo gestado: o ex-presidente parabeniza as bancadas de esquerda no congresso por terem alterado o pacote do ministro Sérgio Moro e termina por defender a legitimidade do Congresso Nacional. Mais: afirma que o parlamento “já percebeu” que Bolsonaro precisa ser contido, e que pretende “dialogar” com congressistas para impedir uma eventual “escalada violenta” do atual presidente.

Lulinha virou youtuber. O mundo ficou doente.

Esta é uma grande novidade no tabuleiro político. O PT, após o impeachment de Dilma Rousseff, viu-se minoritário — oposição, vale lembrar — após uma década e meia reinando soberano nos salões do congresso. Para sedimentar sua tese do golpe, denunciava não apenas o governo Temer como ilegítimo, mas todo o sistema. Foi assim que se mantiveram aglutinados no período de tormentas dos anos seguintes.

Hoje, após perceberem a completa inabilidade do Presidente da República no trato político, optaram por um cavalo de pau: reconhecem a importância do congresso e buscam diálogo com Maia e seus amigos em nome da “luta contra o fascismo”. O estratagema, aparentemente, tem duas funções: isola Jair Bolsonaro como “projeto de tiranete”, impedindo o avanço de sua agenda, e firma Lula como liderança confiável e sensata perante os líderes partidários em Brasília.

Existe mais do que isso em jogo: o PT e o centrão vem trabalhando juntos em nome de uma agenda pró-impunidade e de privilégios para os grandes partidos, como o Fundão eleitoral. Esse trabalho, que se reflete também na sinergia entre ministros do STF nomeados por petistas, emedebistas e tucanos, vem garantindo uma resposta sólida à operação Lava Jato e a eventuais avanços de agendas de costume do Presidente da República.

 Agora é aguardar os desdobramentos deste “Lulinha paz e amor”. Livre, leve e solto, encerrou seu vídeo prometendo “responder com amor ao ódio de Bolsonaro”. Comovente. Resta saber se vai combinar com Manuela d’Ávila, Boulos, e as franjas da extrema-esquerda ávidas por caos e bagunça.