Formado na Faculdade de Direito do Recife. Perdido entre a poesia de Manuel Bandeira e a de Marília Mendonça. Só bebo em copo americano.
Iê, Infiel, Bolsonaro sacaneou o quartel

Vamos ser sinceros, Bolsonaro tomou o partido de Olavo na treta com os militares. E isso é mais feio que apalpar a mãe no tanque

07/05/2019 20h34

Quando Lúcifer se apresenta, no último círculo do Inferno, o demônio está a mastigar continuamente 3 pecadores: Judas Iscariote – o homem que entregou Jesus Cristo – Brutus e Cássio, assassinos de César. Para Dante, não há pior pecado do que trair seus benfeitores.

Jair Bolsonaro talvez nunca tenha lido A Comédia.

Mas não é preciso ser um poliglota pra saber que pagar com desprezo àqueles que lhes deram a mão, não é uma atitude exatamente valorosa.

Jair Bolsonaro deve a sua carreira política aos militares.

Se não foram eles, sozinhos, que o elegeram presidente, foram eles que o impulsionaram e sustentaram durante anos como um parasita de baixo clero na Câmara Federal, o que acabaria o impulsionando a se tornar uma subcelebridade nacional e depois a presidente.


Se é bem verdade que os militares viam em Bolsonaro um deputado a defender seus interesses corporativos, qualquer análise minimamente honesta da gloriosa biografia do nosso comandante-em-chefe, revelar-nos-á o uso abusivo (tu dum) do prestígio das FFAA pelo atual Presidente.

O “Capitão”.

As fotos como paraquedista.

O jingle da sua campanha parlamentar.

etc.

Ao lado de Bolsonaro, o Olavismo (e não exatamente Olavo de Carvalho, mas o aglomerado de seres que o cercam) também pegou carona na popularidade popular (som de bateria de talk show americano, de novo) dos militares.


Afinal, se pra o quixotismo (perdão, Cervantes) Olaviano, os inimigos eram os comunistas, que representação concreta mais perfeita do que aqueles homens que nos livraram de ser uma Cuba de dimensões periclinianas (o do exalta, não o grego)?

Antes das eleições, a militância olavista chamava a atenção pela tara despejada sobre os militares. Desde as festinhas de debutante que eu frequentava, eu nunca tinha visto gente com tanta “admiração” por homens de farda.


Tendo ascendido ao Planalto, Bolsonaro trouxe consigo, além de alguns políticos, lavajatistas e um posto de gasolina, a ala olavista e o militarismo.


Esses dois, olavistas e militares, até então, unha e carne. Pelo menos ou, mais notadamente, pelo lado dos… Olavistas.


Mas então, algo aconteceu….


Com poucos meses de Governo, liderados pessoalmente pelo próprio Olavo, os macacos amestrados (esse rebanho de analfabetos que nos são apresentados como salvadores da cultura brasileira – e quiça ocidental) resolveu investir da maneira mais vil e grosseira possível contra os -outrora santificados – militares.


De heróis da nação; SOS FFAA; intervenção militar já, o setor mais histérico da direita brasileira começou a acusar os militares de covardes, egotistas, conspiradores e (????) positivistas!!!!!11111


o que mudou?

Bem, talvez como donzelas de novela mexicana ou a trupe do Scooby-Doo (pra ser menos bumbum guloso), os olavistas tenham finalmente descoberto um inimigo oculto, um ex-amigo dissimulado, um…oh… I am not wha I am… Iago.

Ou talvez, Olavo e seus patetas, viram na eleição de Bolsonaro uma oportunidade única de conquistar poder (e dinheiro, no caso dos puppets), que jamais teriam no curso natural de suas vidas.

Tendo garantido fazer parte da divisão do bolo, querem agora afastar os militares para conquistarem mais fatias para si. Cachorros magros.

Que os olavetes ajam assim, é até compreensível.

A política é um lugar cheio de víboras. E os olavettes sempre juraram fidelidade ao velhinho da Virgínia.

Mas que Jair Bolsonaro, que deve imensa parte de sua carreira aos militares, lance uma nota em seu perfil oficial lambendo um sujeito que ataca diuturnamente a corporação que o lançou à política? Um sujeito que ataca dia sim, outro também, seu vice-presidente e seus ministros?

Que Jair Bolsonaro condecore com honras de grande nobreza um homem que atacou um ex-comandante do Exército Brasileiro, fazendo referências tenebrosas a sua debilidade física provocada por uma lamentável condição de saúde?

Isso é de se licitar um puxadinho lá no último capítulo de Dante.

Cuidado, Presidente.

Se a verdade liberta, a dissimulação aprisiona.

Um mandato tem 4 anos.

Mas a boca de lúcifer mastiga os traidores por toda eternidade.