Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
How dare you? A pirralha malthusiana

Por uma defesa real da sociedade e do meio ambiente

28/01/2020 20h11

Greta Thunberg: a jovem de 17 anos que ficou internacionalmente famosa por defender fervorosamente as pautas ambientais. Em sua primeira lacrada internacional, na ONU, Greta fez um discurso quimérico, no qual culpa as gerações passadas pela morte do planeta e, de quebra, profetiza o fim da ordem de exploração – e essa queda se daria pelo despertar dos jovens. Em ocasião mais recente, a jovem sueca proferiu “Não precisamos diminuir a emissão de carbono, mas sim zerá-la”. Revolucionária, não? Greta, conscientemente ou não, repete uma teoria antiga e que já foi exaustivamente refutada: o malthusianismo.

A relação entre o número de habitantes, instituições e formas avançadas de interação humana não é um conceito novo. Foi uma das mais reveladoras compreensões de Adam Smith que “como é o poder de troca que possibilita a divisão do trabalho, a extensão dessa divisão deve ser sempre limitada pela extensão desse poder ou, em outras palavras, pela extensão do mercado”. Da mesma maneira, aqueles que obedeciam às práxis de mercado, ao aumentar numericamente, excederiam outros que seguiam modos diferentes.

Fundamentando-se em declaração análoga de John Locke, no segundo tratado, diversos historiadores, já no século 18, observavam que, nos Estados Unidos, onde poucos índios caçadores habitavam e sofriam com a fome, quem os enxotou habitou o mesmo local com população e conforto elevados. Constataram, da mesma maneira, que as tribos que se dedicavam apenas à caça foram subjugadas por outras tribos que se dedicaram a agricultura.

Com esse exemplo, fica claro que o pensamento contemporâneo de que o aumento da população geraria declínio na qualidade de vida das pessoas é uma falácia. Tal pensamento advém de uma simplificação da abstração malthusiana, a qual se torna irrelevante nos dias de hoje. Resumidamente, Malthus acreditava que o aumento do número de trabalhadores reduziria a renda do proletariado, o que não acontece quando a mão de obra é especializada e diferenciada em si.

A diferenciação e especialização da mão de obra, acrescidas de uma densa população, precedem uma inovação tecnológica que seria inútil em um espaço menos povoado. Estas inovações acontecem em vários setores da sociedade, como na agricultura e na exploração da natureza, possibilitando o desenvolvimento necessário para a sobrevivência da comunidade e amenizando os danos ao meio ambiente. Observamos tais adaptações em países como o Japão, por exemplo.

Contudo, grande parte dos ambientalistas ignoram o fato do progresso proveniente do capitalismo viabilizar uma melhora substancial na preservação do ambiente. Longe disso: apelam para uma mudança radical no estilo de vida da sociedade. Para eles, precisamos superar (leia-se abandonar) o capitalismo para vivermos na fantasia verde do comunismo, como os indígenas americanos supracitados. Esta é justamente a imprecisão desse “ambientalismo socialista”: ele vai em contraposição à natureza da sociedade e da economia.

A sociedade capitalista se desenvolveu apesar da oposição dos nossos instintos coletivistas, de todos os horrores intrínsecos às inovações inconscientes e do terraplanismo econômico e ambiental. Consequentemente, é apropriado afirmar que a sociedade desmoronaria, e uma enorme parcela da população sofreria e morreria, se tais ideias fossem colocadas em prática.

Por fim, devemos nos comprometer a resolver os problemas ambientais de forma séria e sem comprometer a nossa própria existência. Portanto, tal solução passa por tentar conciliar o ambientalismo com nossos costumes. Para isso, resgatarei a filosofia verde, de Roger Scruton. Nela, o pensador inglês propõe uma ação de baixo para cima, por meio de diversas interações diretas entre as pessoas. Sendo elas nas escolas, igrejas, famílias, universidades e equipes, onde cada indivíduo assume as responsabilidades de suas ações e responsabiliza seu vizinho pelas ações dele.

Ainda na filosofia verde, Scruton retoma o conceito de sociedade de voluntários, termo criado pelo irlandês Edmund Burke. Para Scruton, a causa mais grave dos problemas ambientais é o esquecimento desse espírito voluntário. Afinal, nas palavras do autor: “Sempre que projetos socialistas e soluções estadistas tomam o lugar das iniciativas cívicas, como ocorreu no império soviético, testemunhamos a imediata negligência em relação ao patrimônio público e a consequente erosão dos bens comuns.”

Referências:
1. Os erros fatais do Socialismo, F.A. Hayek.
2. A riqueza das Nações, Adam Smith.
3. Segundo tratado, John Locke.
4. Filosofia Verde, Roger Scruton.