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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Hacker era ‘Lula Livre’, anti Lava-Jato e filiado ao DEM. O que dá pra deduzir dessas premissas?

O hacker de Araraquara não é uma grávida de Taubaté, mas gera dúvidas e incertezas

24/07/2019 10h22

Pois bem. A veloz cobertura deste MBLNews trouxe à tona alguns fatos interessantes sobre o mais exposto dos hackers, o Walter Delgatti. Com passado esquisito — foi preso 3 vezes, sendo uma delas por se passar por delegado de polícia — Walter não é exatamente uma pessoa das mais… definidas.

É filiado ao DEM, o que poderia despertar teorias das mais sinistras. Seria ele um enviado de Maia? Seria ele um contato do MBL ? Estaria ele a serviço de Onyx Lorenzoni? Perguntas idiotas para respostas cretinas que irão pulular nas redes sociais. Mas pouco podemos deduzir de sua aposta partidária.

Até porque Walter tem comportamento em redes um tanto quanto… distante da linha política do Democratas. Criticava a operação Lava-Jato, a ponto de compartilhar vídeo de Gilmar Mendes com ofensas à força tarefa; era também adepto da campanha ‘Lula Livre’, pela soltura do ex-presidente petista. Vivia a digladiar-se com jornalistas do antagonista, fakes do pavão misterioso e adeptos do bolsonarismo.

Vale levantar outro ponto interessante: sua conta no twitter, encerrada em 2011, reviveu em maio — mês em que a maioria das invasões de celular aconteceram e houve a provável entrega de documentos ao site The Intercept.

É possível deduzir que de fato, Walter é um rapaz desequilibrado. Ninguém é preso três vezes, em circunstâncias tão exóticas, sem apresentar algum quadro clínico em sua psique. Mais: se não agiu a mando de alguém, faz sentido que apele contra forças políticas e agentes da direita — ou mesmo de forças de combate à corrupção nos governos petistas. Walter parece ter posições políticas bem claras, destoando apenas em sua escolha pelo ex-PFL.

É também um rapaz perspicaz. Percebe-se, nos prints abaixo, que soube deduzir a forma de atuação da fraude do ‘pavão misterioso’ — ou ao menos desenhar um caminho viável para o embuste. Era também, se assim podemos dizer, crente na validade da sua luta. Ou não se exporia facilmente, de peito aberto, em debates pelas redes sociais:

Vejam como ele encadeia os fatos:

A soma de tais elementos mais complica do que explica. Walter pode muito bem ser um louco isolado — com alguma capacidade técnica, diga-se — em busca da glória hacker atacando seus adversários políticos. Sua volúpia pelo perigo — explicada também por suas exóticas prisões — ajuda a explicar a forma pouco inteligente como se expôs.

Fato também é que trabalhou em conjunto com outros criminosos, e que tinha informações precisas de quem hackeou. Havia uma lógica nas invasões de celulares; havia sentido nas conversas simuladas com procuradores e jornalistas se passando pelos invadidos. Walter e seus colegas pareciam ser profundos conhecedores da operação Lava-Jato, o que dá ensejo à ideia de que trabalhavam a mando de alguém.

Com base no que temos, pouco podemos afirmar. Existem pistas tanto na linha de um ‘lobo solitário’, agindo pela causa, quanto na hipótese de ter trabalhado em conjunto com gente graduada, que sabia o que extrair dos celulares invadidos.

O hacker de Araraquara não é uma grávida de Taubaté, mas gera dúvidas e incertezas. Resta saber o que a PF revelará nas próximas horas.