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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Greve geral da esquerda tem tudo pra ser uma marcha pró- corrupção

Misturaram previdência com “Fora Moro”. Brilhante!

11/06/2019 16h44

A esquerda, outrora calada no início do ano, resolveu orquestrar uma série de ações de rua, organizando nichos diferentes, para confrontar o governo federal e recuperar algum tipo de protagonismo.

A nova etapa da empreitada acontece na próxima sexta-feira (14), em diversas capitais. É a “Greve Geral” convocada por Guilherme Boulos e incensada pelos recentes vazamentos de conversas de juízes e promotores da lava-jato.

Antes de tudo, é importante salientar: muito provavelmente não haverá greve alguma. Tornou-se corrente nomear as manifestações esquerdistas de ‘greve’, entregando o contorno dramático de uma paralização a um ato público não muito relevante.

Houve um pequeno interlúdio de legitimidade neste processo: os protestos de 15M, contra os contingenciamentos na educação superior, obtiveram substancial adesão popular. Mas mesmo eles não podiam ser chamados de greve. Foram manifestações — legítimas e naturais em uma democracia.

Dia 14, porém, não promete engajar o corpo discente de nossas universidades federais; focado na previdência, o ato será uma mortadelagem clássica, recheado de balões de centrais sindicais, manifestantes pagos e discursos ensaiados. Contará com o apoio massivo de sindicatos ligados ao funcionalismo — professores à frente –, mas não irá demover parlamentares de suas posições pró-reforma.

A estratégia, mal-nascida e equivocada, pode se tornar ainda mais desastrosa a depender do engajamento de seus organizadores na campanha anti-lavajato. Lideranças petistas prometem paralisar o congresso nas próximas semanas; exigem do parlamento uma CPI da Lava Jato e o afastamento do ministro Sérgio Moro. Paralelamente, alguns de seus nomes mais caricatos já misturam as bolas sobre o dia 14 e transformam um protesto ruim em algo ainda pior: um manifesto pela impunidade.

Não nos enganemos: mesmo governadores petistas torcem (em silêncio) por uma reforma da previdência. Fazem oposição de salão, para inglês ver. O objetivo da manifestação — que envolve gastos exorbitantes em todo o país — é apenas um: o fortalecimento das liderança lulista e a polarização com o governo Bolsonaro. Nada além disso.

Converter a “greve” em ato contrário a Moro e a Lava-Jato é o caminho mais fácil e simples para dialogar com uma esquerda radical distante da sociedade. Mas aprofunda o poço que divide o lulismo da opinião pública.

Ninguém está escandalizado com os vazamentos do Intercept. Essa é a verdade que o petismo não entende. Moro não será queimado na fogueira que irá redimir Lula, e a expectativa que isso ocorra é apenas demonstração de fé em meio a um processo político em que a esquerda não tem mais controle algum.