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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Greve caricata pode beneficiar governo

Esquerda está prestes a ajudar o presidente. Involuntariamente, claro

14/05/2019 16h07

Eles não aguentaram! Após 5 meses de silêncio — entrecortado, verdade seja dita, por atuações risíveis no congresso — a esquerda brasileira coloca o bloco na rua em mais uma greve de estudantes. A ação, que se inicia nesta quarta feira, busca defender a “educação pública” contra os cortes de Weintraub.

Não gastarei teclado aqui discorrendo sobre as motivações da greve, tampouco sua legitimidade. Me interessa compreender as consequências políticas da ação de professores, funcionários e estudantes num momento de crise no setor. E o diagnóstico me parece simples: o governo deverá sair vencedor na contenda.

Uma das razões para o certo destempero e falta de discurso de Bolsonaro é o interessante recuo tático liderado pela esquerda nos primeiros meses de nova era. A manobra impediu a polarização fácil, fazendo com que o governo procurasse inimigos em outras searas. Creio não ter sido apenas estratégia: a esquerda encontra-se desorientada, lambendo as feridas de um momento amargo e eivada de disputas internas. Ainda assim, os fatos estão dados, e o campo progressista se ausentou.

Greves costumam irritar a comunidade acadêmica. Greves conduzidas por uma esquerda histérica e confusa, presa a velhos chavões, irritam a sociedade. Não funcionou durante as famosas ocupações de 2016, debeladas pelo MBL e Arthur do Val; não parece que funcionará em 2019.

Figuras caricaturais, discurso anacrônico — ainda que justificado por trapalhada do governo — , clima de sabotagem; são elementos suficientemente fortes para que a direita como um todo — e o governo em especial — possam usar a energia de seus antagonistas para promover seus próprios ideais. O governo retorna à polarização clássica, num momento em que convida o Centrão para o baile; a compreensão para a classe média torna-se mais fácil e nítida. Não parece uma jogada inteligente dos vermelhos.

A esquerda, porém, não tem escolha. Os cortes são uma afronta grande demais para ser ignorada. Foi chamada para o jogo por Weintraub e os estrategistas do grupo ideológico, que sabem bem as vantagens de combater um inimigo que já conhecem.

Em resumo: se rolar bundaço, governo cresce.

E Bolsonaro agradece.