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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Gente estranha com alma de petista (2)

Perguntas incômodas irritam os que buscam respostas fáceis

04/05/2019 12h48

A rebelião que redundou na queda de Dilma Rousseff tinha caráter patriótico, anti-establishment (leia-se imprensa, partidos e políticos) e conservador. Buscava afirmar seus valores em oposição — ou contraste, para ficar mais claro — ao poder estabelecido.

O homem que nela tomava parte tinha determinadas características nesse início de processo. Sentindo-se sozinho, como underdog numa luta assimétrica, era natural que soasse iconoclasta. Votou em Aécio e abandonou-o na sarjeta da Paulista sem a menor cerimônia. O que lhe interessava era opor-se ao seu inimigo, descobrir quem eram os seus — aqueles homens e mulheres que inundavam as ruas contra o petismo — e com eles construir uma pátria para chamar de sua.

Não tenho a menor dúvida que o processo de impeachment serviu de catalizador para este processo. A queda da presidente vermelha serviu de divisor de águas para a classe média, que foi capaz de imaginar — sem a intervenção de agentes externos — o país que queria como panacéia. Muitos elementos foram agregados — alguns por pura oposição, outros através de construção sólida e sistemática; ainda assim, os buracos a serem preenchidos tornaram-se sempre maiores ao passo que o fenômeno de dissolução política avançava implacavelmente sobre nossas elites.

O fim do impeachment não foi o fim da lava jato, que avançou sobre PSDB e MDB tão logo as cortinas de Dilma se fecharam; um ano mais tarde, Joesley jogou a pá de cal sobre qualquer alternativa da política para as eleições vindouras. O povo, histérico e impaciente, já não compreendia a complexidade que se desenhava à sua frente, ora se desmobilizando, ora buscando respostas fáceis para o problema. E é aí que entra o Bolsonarismo.

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