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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Future-se: o investimento privado que tanto queríamos?

Será que chegou a hora de livrar as universidades das amarras do dinheiro público?

17/07/2019 18h44

FINALMENTE, senhores e senhoras, o Ministério da Educação resolveu trabalhar e trazer propostas. A frase “tarda mas não falha” pode ser usada nesse sentido? We hope so… Nesta quarta-feira fria de julho, nosso ministro, o homem dos chocolates, do guarda-chuva, do Enem digital, hoje apareceu com sua mais nova ideia para educação brasileira: o FUTURE-SE.

Do mesmo autor do “contingenciamento dos gastos discricionários das universidades federais”, agora lança “o fortalecimento dos institutos federais”. Essa mudança nas instituições federais de ensino foi apresentada ontem (16) aos reitores das mesmas, trazendo a ideia de uma gestão eficiente e inovadora. Ainda não começamos a falar sobre privatizações ou cobrança de mensalidades (como é a expectativa de muitos nesse país quando falamos em universidades públicas), o discurso que o ministro trouxe em Santa Catarina foi entorno de EFICIÊNCIA : reduzir gastos das universidades e utilizar essa sobra para investir em educação básica.

Eu, como uma quase gerontóloga, aprendi no primeiro ano de faculdade um conceito empregado com os idosos que vivem a plenitude na velhice: AUTONOMIA. Essa mesma autonomia vem de encontro as propostas do Future-se: libertação das universidades federais, aumentar os investimentos privados no orçamento, através de fundos de doações de empresas e ex-alunos, vender nomes de campus e edifícios e também fazer parcerias público-privadas.

OK OK, já falei para vocês de onde o dinheiro pode vir, agora vamos conversar sobre como esse money será gerido.

FUNDO SOBERANO DO CONHECIMENTO: o capital poderá ser investido na instituição ou nesse fundo e posteriormente redistribuído às demais universidades que adotaram o programa. A ideia do capitalismo social será utilizada – bons investidores que se preocupam com a educação do país e querem um alvo bom para colocar seu dinheiro. O fundo poderá ser comercializado na bolsa de valores, tornando assim disponível para vários investidores.

Essa proposta de lei será submetida para consulta pública no dia 31 de julho. Se isso vai libertar as universidades das amarras do orçamento da união? Não sabemos ainda, mas vai de encontro a vontade de facilitar e flexibilizar a captação e a gestão de recursos que não venham dos nossos impostos. Será que finalmente Weintraub deu uma dentro? Vamos aguardar os próximos capítulos desta novela.