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Formado na Faculdade de Direito do Recife. Perdido entre a poesia de Manuel Bandeira e a de Marília Mendonça. Só bebo em copo americano.
FOCA, PRESIDENTE!

Jair Bolsonaro precisa mergulhar nas urgências

07/06/2019 17h10

O Brasil sofre uma das piores recessões de sua história.

Para conseguirmos atingir a recuperação econômica, uma série de medidas desburocratizantes e liberalizantes precisam ser tomadas (e algumas, com justiça, já estão sendo propostas pelo governo).

Mas o caminho para a saída do atoleiro passa incontornavelmente pela reforma da previdência.

Em 1822, tivemos o nosso primeiro brado como país verdadeiramente soberano: Independência ou morte.

Hoje, quase 200 anos depois, se quisermos resistir como país, precisamos enfrentar outro dilema, bem menos heroico, mas fundamental: (reforma da) previdência ou morte.

Para que consigamos ultrapassar esse lamaçal econômico em que nos encontramos, TODOS os esforços precisam ser concentrados na aprovação da reforma.

Palavras, gestos e atos.

Nada, nada, pode tirar o foco da previdência.

No entanto, na última semana, energia social em discussões, polêmicas, reportagens e atenção midiática, social e parlamentar foi gasta com o polêmico (e na minha visão, obtuso) projeto de reforma do código de trânsito.

Hoje, o Presidente propõe uma moeda comum com a Argentina (olhe, que nem na minha pior embriaguez eu tive uma idéia tão estapafúrdia quanto a de atrelar nossa economia à Argentina) com o intuito de “travar aventuras socialistas no continente”.

Bolsonaro pode ser bem intencionado. Não coloco isso em dúvida agora.

Mas sua desatenção e impulsividade são extremamente prejudiciais ao bom andamento do cargo que ocupa.

Pra reformar a previdência é preciso angariar o máximo de apoio nas ruas e no congresso.

Projetos que preveem mudanças extremamente sensíveis e polêmicas no Código de Trânsito geram dispersão, conflitos e dúvidas numa seara do país onde uma morte ocorre a cada 15 minutos.

A idéia de travar aventuras socialistas no continente latino americano através de uma moeda comum, além de estúpida, é o caso típico do sujeito que bota o carro na frente dos bois.

Bolsonaro tem uma missão clara, definida e incontornável. Ele precisa salvar a economia brasileira.

Antes de fazer isso, é irresponsável e completamente irrazoável demandar qualquer esforço no sentido de salvar a economia dos países vizinhos.

É preciso fazer o dever de casa, antes de pensar em polêmicas adiáveis (quando não evitáveis) e em planos de salvação continental.

Conviria ao presidente que aprendesse com Gregório de Mattos:      

“A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar a cabana, e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.”

Pense antes na nossa cozinha, Presidente.

Ela anda em situação calamitosa.