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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
Florescer do movimento estudantil: o espaço da direita no ambiente educacional

Escolhi contar os caminhos que me levaram ao movimento e mudaram minha vida

26/06/2019 16h01

Provavelmente você já se perguntou (ou já escutou alguém perguntar): quem é essa garota que está no MBL Estudantil? Então neste primeiro texto para o blog escolhi contar os caminhos que me levaram ao movimento e mudaram minha vida.

Vamos começar pelo clichê da apresentação bem tradicional: Júlia Machado, 22 anos recém completados, católica, nascida em Mogi Guaçu (interior de SP) mas já desbravando a grande São Paulo há 3 anos e meio, estudante de Gerontologia (Você pensou Geronto o que, né?! Logo escreverei sobre isso), um representante da direita infiltrada na USP e apaixonada por Brasília. 

Estudar na Universidade de São Paulo é o sonho de muitos durante o ensino médio, mas uma realidade apenas para alguns, e comigo não foi diferente. Ver um sonho se transformar em realidade e logo depois em frustração é uma situação mais comum do que deveria ser. A USP é o direito que todos pagam, poucos usufruem e faz MUITO BARULHO (desnecessário).

Sair do interior do estado e vir para São Paulo, com certeza, foi um dos maiores desafios da minha vida. Ainda mais porque vivenciei na pele o tão famoso meme da EXPECTATIVA X REALIDADE. Imaginar que estava prestes a estudar na universidade da elite que se diz intelectual, uma das mais tradicionais do país e me deparar com prédios depredados (destruídos pelos que deveriam preservar) e também com estudantes que estão só interessados em festas e não conseguem visualizar que é o dinheiro dos próprios impostos que pagam aquela estrutura e os professores. 

Sempre estudei em escolas públicas, logo, greves não eram assuntos desconhecidos, posicionamentos políticos sempre foram mostrados nas aulas de filosofia e sociologia e foi através das entidades estudantis que encontrei um meio de levar aos estudantes a voz dos que divergiam da massa e fazer a diferença dentro do ambiente escolar. 

Presidir um Grêmio estudantil durante o ensino médio foi uma experiência desafiadora (se tiver oportunidade, entre para o grêmio!), organizei uma “Semana Paulo Freire”, onde a maioria dos estudantes nunca tinham ouvido falar em Paulo Freire e após a semana continuaram não sabendo quem era, mas adorando a “celebração”, afinal perder aula para participar de gincanas, competições esportivas e artísticas é muito mais interessante do que aprender os conteúdos tradicionais da escola (ler com ironia, por favor).

O Grêmio foi a primeira entidade que participei, depois na faculdade vieram dois anos de gestão do Centro Acadêmico e da Atlética. O que eu aprendi nas entidades estudantis? Unir pessoas em prol de uma causa que eu acredite, uma causa certa, justa, que beneficie e represente a liberdade que o ambiente educacional merece. 

O início da Universidade foi uma vitrine do que eu não acredito, de pessoas que eu não gostaria de me tornar e de líderes que não me representavam. Na minha busca por identificação, encontrei o MBL Estudantil e jovens que dividiam meu desejo de ter uma educação livre e de qualidade no Brasil, tivemos nossa primeira reunião na Câmara Municipal de São Paulo no dia 29 de setembro de 2018 e a partir disso o Estudantil só cresceu. 

Em abril de 2019, tive a oportunidade de participar de um estágio de curta duração na Câmara dos Deputados, onde reafirmei minha paixão pela política e a vontade que tenho de colaborar para tornar o Brasil um país melhor. O evento foi marcante não apenas pela carga de aprendizado que adquiri, mas sim pela associação do meu nome com a direita conservadora. Após a semana que passei em Brasília, fui impiedosamente atacada na internet pela esquerda uspiana, fiquei uma semana sem frequentar a faculdade, um mês sem almoçar na bandejão e até agora recebendo olhares de julgamento. O preço por expor o lado do jogo que estou foi caro e doloroso, mas a sensação de liberdade que possuo agora, onde os que me cercam sabem o que eu acredito, é impagável. 

O primeiro passo para não arder na fogueira de uma vida sem valor é escolher os ideias e crenças que você quer disseminar para fazer o Brasil um país melhor, depois procure democraticamente ocupar os espaços dentro do ambiente educacional que também é nosso por direito. Seja persistente, pois só quando nos fazemos presentes o resultado e a mudança acontecem.