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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Flavio Bolsonaro destrói o pai e sabota o PSL; Witzel virou inimigo da vez

Flávio Bolsonaro tenta encerrar o mal na raíz. Quer tirar o PSL da base do governo — via ameaça de expulsão — isolando ainda mais seu pai no campo de batalha político nacional

18/09/2019 12h45

Não eximimos o presidente Jair Bolsonaro de sua culpa na nomeação de Aras, no combate à Lava Toga e destruição do COAF. O acordão, se houve — e muito provavelmente houve sim — só pôde ser celebrado sob a égide do poder institucional do presidente da República. Mas não é injusto afirmar que seu filho, Flávio Bolsonaro, é o grande vilão de seu governo. E eis aqui mais uma prova de seu desastre.

Conforme relatou o Antagonista, o Senador carioca declarou guerra ao governador de seu estado, Wilson Witzel. Ainda que tente apresentar razões diversas, não há outro condão que o político eleitoral: Witzel coloca-se como candidato a presidente da República. E isso é crime de lesa-pátria no dicionário bolsonarista.

Entendamos: as declarações recentes do governador sobre sua própria eleição — desvinculando-se de Bolsonaro — desagradou a família. Foi incômodo ainda maior o fato de lançar-se, ainda no começo de mandato, a presidente da república para 2022. E, por fim, tirou do prumo a militância bolsonarista ao participar do carnaval público de abatimento do sequestrador do ônibus da Rio-Niterói.

Witzel comporta-se como um Bolsonaro de resultados. É mais duro no discurso, ainda que mais suave na forma. Não tem arroubos gloriosos, tampouco pretensões de salvar o ocidente. Falta-lhe — e isso é vantagem — um Olavo de Carvalho para revesti-lo de teorias malucas. E faltam-lhe os filhos malucos. Ganha em margem de manobra — possui relações políticas mais estáveis na Alerj — e capacidade de aglutinação.

Flávio Bolsonaro tenta encerrar o mal na raíz. Quer tirar o PSL da base do governo — via ameaça de expulsão — isolando ainda mais seu pai no campo de batalha político nacional. Segue a lógica de sempre: os inimigos estão na direita, como MBL, Witzel, Moura Brasil, Antagonista, Vem Pra Rua. Isolam-se, cada vez mais, na masmorra política de seu guru.

Não deverá obter grande sucesso em sua empreitada. Os deputados do PSL são carguistas. Adeptos da nova política, já encontraram meios para se integrar ( ou se entregar) à lógica perversa do patrimonialismo carioca. Não vejo como inteligente perder essa articulação em nome de um servilismo barato ao presidente moribundo da legenda no estado.

Flávio deveria calar-se. É, hoje, tão tóxico quanto um Renan Calheiros. Com a desvantagem de levar para o buraco toda a esperança na renovação política que varreu o país nos últimos anos. Um desastre que não poderá rachar com mais ninguém.