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Outra entusiasta política repleta de opiniões não solicitadas e incrivelmente impopulares. Para discuti-las, @maiarapiva no Twitter.
Fim do casamento entre Bolsonaro e a pauta anticorrupção

Ou seria o fim da Lava Jato?

24/08/2019 10h58

Tudo indica que chegamos a uma encruzilhada que vai separar o joio do trigo. Enquanto uma parcela dos eleitores de Bolsonaro se encontra decepcionada com os acordos inexplicáveis tecidos com Supremo e o Senado em prol dos próprios filhos, outros perderam a confiança na Operação Lava Jato após os vazamentos de conversas entre Deltan e Moro.

É inegável que o início do atual governo foi um balde de água fria nos brasileiros que confiavam plenamente na idoneidade da dupla Bolso-Moro. Só resta saber: qual é a ponta mais fraca? De que lado a corda vai ruir primeiro?

Declarações de Dallagnol à Gazeta do Povo expuseram o abismo que vem crescendo entre o presidente e a luta contra a corrupção:

“O que a gente vê no Brasil? A gente vê um movimento amplo [de enfraquecimento do combate à corrupção]. Não é um movimento restrito; não é uma pessoa ou duas. A gente vê um movimento que engloba o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná.

A tentativa de barrar a Lava Jato não é nenhuma novidade, afinal, é de conhecimento comum que uma parcela substancial de nossos representantes políticos possui teto de vidro, mas a conivência presidencial com o golpe mais contundente ao combate à corrupção – que foi a Lei de Abuso de Autoridade – foi uma surpresa para todos.

O pedido de urgência para a votação de tal lei desastrosa teve o aval de ninguém menos que o líder do PSL, partido do presidente:

E até agora, independente da pressão para que o presidente a vete, não temos garantia alguma.

Bolsonaro, que sempre teve um cometário desnecessário a ser feito à imprensa, incrivelmente, não se posicionou de forma contrária a atuação do líder do PSL. Tudo nos leva a crer que a ação teve o aval presidencial.

Projetos para blindar corruptos votados na velocidade da luz e por baixo dos panos, mas ainda assim falamos em nova política?

Soma-se aqui a curiosa associação ao Supremo, entenda:

As atitudes presidenciais, na ânsia de proteger sua prole, são a antítese do que prega a Operação Lava Jato e a parceria tão promissora entre o juiz estrela e o político severo com a criminalidade parece ter um fim eminente.

Resta saber qual será a reação da população ao fim do “casamento” de forma tão prematura. O mito ainda é mito se conivente com a corrupção?

O veto, ou a ausência dele, na emblemática Lei do Abuso de Autoridade será a resposta decisiva para muitos de nós.