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Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
Escola Sem Partido virou palanque para extremistas

Ou: Escola Sem Partido morreu e seu espírito retroalimenta os extremos.

09/10/2019 21h21

BELO HORIZONTE – É com enorme frustração que escrevo esse texto. O projeto Escola Sem Partido acabou; ou, no mínimo, perdeu a sua essência.
Sim, um projeto virtuoso, que visava dar luz aos pontos do debate e tratar com isonomia a sala de aula e a educação, foi desvirtuado.

Virou um “não sou contra a doutrinação se for a minha ideologia a ensinada”. E isso, leitor, não passa de uma canalhice. Não passa da mesma atitude pela qual criticamos a esquerda: utilizar da atenção cativa dos alunos para transforma-los em massa de manobra. Só falta querer formar a nova UNE.

Além disso, a postura apresentada pelos dois lados do debate – favorável e contrário – tem sido vergonhosa. Perderam qualquer tipo de respeito e tornaram-se atores de um horrível teatro político com fins eleitorais. E, pasmem, um lado depende da violência do outro para sobreviver.

Explico:
Nessa realidade em que a mitada, a lacrada e o like são a finalidade da ação política, impulsionam-se ações que visam apenas a autopromoção de grupos e indivíduos e, quem sabe, futuras eleições. Não há busca por um resultado efetivo para a sociedade na sua ação. E há algo melhor do que um “inimigo” para isso? Os polos mais radicais, tanto da direita quanto da esquerda, já entenderam isso e trabalham juntos nessa lógica do “dá que te dou outra”. Sim, os polos se retroalimentam, como Bolsonaro e Jean Willys, nos seus intermináveis, rasos e baixos confrontos. Notem que em todas as audiências públicas, plenárias e demais embates pelo ESP, todo e qualquer diálogo é filmado por ambos os lados. A finalidade? Ver o que conseguem para colocar na rede, ganhar likes e autopromoção.

E o Escola Sem Partido foi o bode expiatório perfeito. Inicia-se o embate: os salvadores das crianças (a direita) versus os defensores dos professores (a esquerda). Por esse maniqueísmo, destruímos a essência de um projeto virtuoso, que promovia a democracia. Afinal, incentivava o debate de ideias. Criminalizamos – a direita – os professores, os condenamos como (desculpem a palavra) vagabundos sanguessugas. Já a esquerda colocou o projeto como uma “lei da mordaça”, que não deixaria o professor trabalhar. Ambos extremamente desconexos da realidade.

Quanto ao conteúdo do projeto, este deixou de importar há muito. A liberdade de aprendizado deixou de ser o fim e passou a ser o meio.

A sala de aula não deve ser mais neutra? Essa é a reflexão que a direita deve se propor a fazer. Ou mantém o seu padrão ético, ou torna-se o monstro que tanto criticava.