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USPiana, católica, mãe de pet e aficionada por educação e política.
ENEM: menos Marx, mais democracia

“NÃO LEU E NÃO LERÁ A PROVA” – Weintraub sobre Bolsonaro

06/11/2019 19h28

Domingo passado tivemos um dia atípico para quem frequenta a Avenida Paulista, pois ela não fechou! O motivo? O Exame Nacional do Ensino Médio!!

Eu me peguei pensando e agradecendo que já passei por essa fase no jogo da vida: a fase dos vestibulares, mas me lembro de 2015, quando eu era uma das estudantes que passou 5 horas totalmente focada em dar o melhor na prova que determinaria onde eu estudaria os próximos 4 ou 5 ou 6 anos da minha vida, me fez comparar o ENEM de 2015 com o de 2019.

Em 2015, nó não sonhávamos com um ENEM digital, como é a proposta do nosso Ministro Weintraub para as próximas edições da prova, como também não existia a quantidade de universidades que não utilizavam a nota do Enem para o ingresso e hoje utilizam – a USP por exemplo.

Em 2019, estamos vendo como nossa educação vai aos trancos e barrancos, mas vai indo e no final das contas, já é melhor do que estar parado. No inicio do ano, quando teve a polêmica da gráfica falindo, me questionei de verdade se aconteceria o Exame este ano, e meus caros, aconteceu!!

No domingo (03) mais de 5 milhões de estudantes foram para sala de aula, mas dessa vez não para serem doutrinados. Diferente das demais edições, a prova tentou se distanciar de questões políticas com viés partidário ou ideológico, nem foi tocado no assunto Ditadura Militar.

Em anos anteriores, a prova já abordou temas como, aborto, feminismo, sucesso de países socialista (Como eles conseguiram provar esse feito na prova, me deixa curiosa) além das típicas questões de ideologia de gênero.

Na prova que eu fiz, em 2015, no caderno de Ciências Humanas e Tecnologias, teve uma questão que abordou a famosa frase da Simone de Beauvoir: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”.

Como não podemos deixar de falar da pessoa mais polêmica desse Brasil, falaremos de Jair Bolsonaro, que em sua campanha bateu muito na tecla da doutrinação não apenas na sala de aula, mas também da ideologia de esquerda enraizada no Exame Nacional do Ensino Médio. Chegou até a falar que leria a prova antes… Bom, pelo jeito o presidente pretendia usar seu tempo para algo útil, mas isso não aconteceu…

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub deu uma declaração dizendo que o presidente “NÃO LEU E NÃO LERÁ” a prova do ENEM 2019, e que nem ele mesmo leu a prova.

Para nos provar mais uma vez como os tempos mudaram, o tema da redação foi anunciado pelo ministro pelo Twitter:

O tema foi “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, eu, Júlia, achei um tema bem mais ou menos, mas dentro deste assunto poderia ser abordado a Lei da meia entrada e em como poderíamos DEMOCRATIZAR de verdade o acesso ao cinema no Brasil.

A lei beneficia o estudante independente da renda, tanto o estudante rico (maioria dentro das universidades públicas) quanto o estudante pobre pagam meia, e ai paramos para pensar, o estudante rico precisa pagar meia entrada no cinema? Esse é o fim NOBRE da lei da meia entrada? Eu acho que não.

E vou ainda além, é o restante da população que paga mais caro para subsidiar essa meia entrada de estudantes que não precisam, enquanto faxineiras, frentistas de ônibus e outros profissionais que não entram na lei de meia entrada.

Podemos lembrar também dos alunos de mestrado, doutorado, MBA… cursos que custam muito caro, mas que seus alunos possuem direito a meia entrada. O grande problema da meia entrada é que ela não é uma política pública baseada em renda e coloca ricos e pobres no mesmo patamar.

Essa primeira prova fugiu da foice e do martelo e abriu espaço para Maquiavel e Santo Agostinho. O ENEM está sendo uma das boas surpresas desse ano, mas não vamos ficar tão felizes, afinal ainda tem o segundo dia de provas e com a maré de coisas ruins que assombra nossa nação, sem grandes expectativas hoje para evitar futuras decepções.