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Escritor de meia dúzia de artigos, comentarista eventual do MBLNews.
Em reunião, secretário da equipe de Guedes indica restrição a subsídios a GM e diz “se precisar fechar, fecha”

Em reunião entre o governo e a empresa, o secretário especial teria dito que “se precisar fechar,

25/01/2019 12h31

Em reunião entre o governo e a empresa, o secretário especial teria dito que “se precisar fechar, fecha”, em alusão à necessidade de subsídios para as unidades da montadora

Na manhã de hoje (25), o vice-presidente de Relações Governamentais da GM, Marcos Munhoz,  se encontrou com o secretário especial de produtividade, emprego e competitividade, Carlos da Costa, da equipe de Paulo Guedes. Segundo a reportagem da Folha, pessoas que estavam presentes revelaram que o representante da empresa manifestou risco de encerramento das atividades no Brasil, tendo o secretário respondido que “se precisar fechar, fecha”.

Há uma semana, o Presidente da companhia para o Mercosul, Carlos Zarlenga, divulgou comunicado aos seus empregados e unidades alertando que os resultados obtidos nos últimos anos (2016/2018) apresentaram prejuízo agregado e que este ano seria decisivo, exigindo sacrifícios e cooperação dos empregados, governo, concessionários, sindicatos e fornecedores. Não foram detalhados os sacrifícios e a declaração recebida como um alerta sobre encerramento das operações, especialmente frente à declaração da Presidente da empresa nos EUA, Mary Barra, sobre essa possibilidade.

Em reunião na unidade de São José dos Campos, com a presença de executivos da empresa, representantes dos sindicatos e os Prefeitos de São José dos Campos, Felício Ramuth, e São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior, foi negado que haja a intenção de fechamento da empresa, bem como mantidos os investimentos para a unidade de São Caetano do Sul, no valor de R$ 1,2 bilhão, em 2019, mas sem garantias de novos investimentos a partir de 2021. Foi reiterado o pedido de colaboração dos governos, empregados, sindicatos e fornecedores.

A demanda foi apresentada ao Governo Federal nesta reunião, para reafirmar os anúncios de colaboração.

A resposta do secretário segue na linha do  programa proposto de campanha do presidente Jair Bolsonaro e falas do Ministro Paulo Guedes, inclusive em seu discurso de posse, no sentido de encerrar a política de subsídios às grandes empresas, com o propósito de fomentar a competitividade e produtividade há décadas no Brasil.

Por outro lado, em sentido reverso, o Governo Estadual, cujo Secretário da Fazenda é Henrique Meirelles, estuda propor a antecipação de créditos do ICMS para socorrer a empresa. A deputada estadual eleita, Carla Morando (PSDB), também primeira dama de São Bernardo do Campo, anunciou que apoiará a medida.

As demandas formuladas pela empresa em relação à região geram desconforto, uma vez que na maior crise enfrentada pela companhia (2008 e 2012) nos EUA, o mercado da América do Sul foi importante para manter os resultados da empresa. Além disso, o país mantém programas de subsídios contínuos às montadoras, como o “Rota 2030” e o “PPE – Programa de Proteção ao Emprego” (2015), sendo estimado para o ano de 2019 R$ 7,2 bilhões em renúncia fiscal, bem como favorecimento fechamento do mercado.

 

gm