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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Elogiado por Calheiros e afagado por Alcolumbre, Aras passa na CCJ. E aí… não teve acordão?

Todos cumprem sua parte, todos fingem estar tudo bem

25/09/2019 16h18

Nada de novo em terra brasilis. Conforme esperado, Augusto Aras foi aprovado com louvor na sabatina da CCJ do Senado. Sua nomeação foi alvo de ataques de militantes de direita e defensores da Lava Jato por conta das posições garantistas e do histórico esquerdista do jurista.

Durante o processo que antecedeu a sabatina, Aras foi defendido vergonhosamente pelos setores mais submissos do bolsonarismo. Carla Zambelli, deputada pelo PSL, tentou toda sorte de malabarismos para justificar sua nomeação; dentre elas, uma ridícula carta de ‘compromissos com a família‘ que foi negada por Augusto durante a sabatina.

É isso mesmo: o nomeado por Jair afirmou que assinou sem ler a carta-propaganda utilizada como justificativa pela militância do governo. Em São Paulo chamamos isso de ‘migué‘; em outros lugares, é o famoso’ joão sem braço‘. Fato é que Aras não faz esforço algum para esconder sua filiação política e seus valores mais caros.

Como quando foi até a bancada do PT — logo após a nomeação de Bolsonaro — falar abertamente sobre ‘punitivismo’ do MPF. Ou quando foi abraçado calorosamente por Alcolumbre, um dos pais do acordo no Senado, num gesto de intimidade incompatível com o distanciamento exigido pela sabatina.

Nada porém supera o elogio rasgado de Renan Calheiros a Jair Bolsonaro pela nomeação do Augusto. O alagoano afirmou que “de todos os acertos [do governo] este é o maior”. Coisa linda. Quando um procurador geral da república é comemorado pelo mestre maior da impunidade, é que as coisas realmente estão calmas em Brasília. Nenhuma novidade — ou tsunami — no planalto central.

As parcelas do acordo que salvou Flávio Bolsonaro — e possivelmente o presidente da República — vem sendo pagas religiosamente. Todos cumprem sua parte, todos fingem estar tudo bem. Dos vetos na Câmara ao Fundo Eleitoral, da nomeação de Aras à indicação de Eduardo: o Brasil nunca foi tão o mesmo fora da propaganda oficial.