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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Editorial: Hino filmado e slogan de campanha

Prática é inconstitucional e denota amadorismo de ministro

26/02/2019 11h47

O ministério da educação parece perder mais tempo com polêmicas idiotas e fatos simbólicos que executando seu árduo e necessário trabalho.

Após alegações deprimentes do Ministro Ricardo Velez sobre brasileiros em viagens — comparando-nos a canibais que roubam hotéis —, o ministro da educação partiu para uma nova investida: solicitou, em email, para todas as escolas do país, que os alunos cantem o hino diante da bandeira no retorno às aulas e que se filme o evento — para que a cena seja enviada ao Ministério.

E foi além: pediu para que os diretores das escolas lessem mensagem enviada pelo ministro aos docentes, funcionários e estudantes — uma carta triunfalista que se encerrava com o slogan de campanha do então candidato, “Brasil acima de tudo, Deus Acima de Todos”.

Pois bem: somos favoráveis ao sentimento de civismo e o despertar de uma consciência patriótica desde a tenra infância. Mas não podemos confundir isso com filmagens de estudantes e leitura de cartas oficiais com slogans eleitorais.

Imaginem o seguinte caso: Fernando Haddad, eleito presidente , pedindo para que se filme alunos cantando o hino enquanto seu ministro dirige carta aos mesmos com o slogan “É Brasil Feliz de novo” ao final. Para as mentes equilibradas, soa absurdo. Alguns dirão “mas as frases são diferentes!”. Não importa! As frases de campanha já são diretamente relacionadas aos seus candidatos — no caso Haddad e Jair Bolsonaro. Não é de bom grado misturar símbolos personalistas com o caráter despolitizado que exigimos do serviço público.

Não duvidamos das boas intenções de Ricardo Velez; o caso, porém, é que quando executadas de forma estabanada, elas mais atrapalham que ajudam. Devemos cobrar um ministério da educação mais técnico e comprometido com resultados do que com likes e performance política.

Assim falou o MBL.

*Em tempo, o ministro emitiu um novo comunicado reconhecendo o erro e retirando o slogan de campanha de Bolsonaro. Ainda bem.