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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
É treta (2)! Presidente usa twitter para engrossar ataques; ou será que foi Carluxo?

Briga ocorre em momento inoportuno para a reforma da previdência

05/05/2019 19h47

Conforme vimos na primeira postagem, o que parecia ser mais um simples ataque da ala ideológica se converteu em campanha pela derrubada de Santos Cruz. Já existe até substituto: Carluxo, o dramático filho do presidente.

Não é segredo para ninguém que o vereador carioca sente-se desprestigiado por não ocupar a posição de comando sobre a comunicação oficial. Líder do aparato de mídia da campanha do pai, Carlos foi preterido por nomes ligados à caserna, ainda que seus principais funcionários estejam operando em Brasília.

Não foram poucas as vezes em que explicitou seu inconformismo com a situação. Temperamental, sempre expôs seus sentimentos no twitter, dando ares de novela mexicana para a celeuma com os militares:

Ó céus, vou mudar tudo nessa minha vidaaa“. Isso não é papo de opressor, né Carluxo?

Além do drama pessoal, devemos adicionar aí alguns pontos: num governo que vive de memes e narrativas, o controle sobre a verba de publicidade é também o controle sobre seu propósito político. A disputa em questão é mais um capítulo no Game of Thrones interno envolvendo ideológicos e militares do governo Bolsonaro.

Os envolvidos querem cargos e meios de ação; a retórica por detrás dos insultos pouco interessa. Acusam Santos Cruz de tentar cercear a liberdade na internet, distorcendo uma fala ruim do general. Nessa linha, o tweet do presidente, com toda cara de ter sido redigido por seu filho, coloca ainda mais lenha na fogueira:

Entendam: a lógica aqui é reforçar suas posições de “defensor da liberdade de expressão”, ao passo que Santos Cruz é queimado como censor na fogueira das redes sociais. Por contraste, Bolsonaro demonstra que não há espaço para gente como o general em seu governo.

Para quem duvida do objetivo da postagem, recomendo uma visita ao tweet do presidente. Os comentários são um verdadeiro massacre ao militar. E não há espaço para interpretação contrária: a máquina inteira do olavismo tirou o domingo para a missão.

Resta, porém, uma pergunta: Santos Cruz realmente defendeu a censura nas redes em uma entrevista?

Sendo objetivo, não. O ministro foi entrevistado por Vera Magalhães, da Jovem Pan, em Boston, no dia 5 de Abril. A jornalista abordou o papel da mídia e das redes sociais, e Santos Cruz emitiu algumas opiniões cautelosas — demonstrando insegurança e pouco conhecimento do tema — em resposta aos questionamentos. Dentre todas, destaco a mais polêmica:

“As distorções, os grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra […] isso aí têm que ser tomado muito cuidado, tem que ser disciplinado, a legislação tem que ser melhorada, e as pessoas de bom senso têm que começar atuar mais, pressionar todo mundo a tomar consciência… 

Vejam só: em momento algum Santos Cruz fala em censura ou coisa do tipo; menciona, no máximo, melhoras na legislação — que podem ser qualquer coisa, inclusive censura. Outro ponto: “pressionar todo mundo a tomar consciência” , outra fala supostamente polêmica, é exatamente o que a direita faz em suas críticas ao jornalismo mainstream. Até aí nada de novo.

A declaração não é boa pois abre margem para uma interpretação maliciosa. Mas não é desastrosa, tampouco justifica uma campanha pela queda do ministro e a imposição — vejam só! — de Carlos Bolsonaro em seu lugar. É muita cara de pau.

Impressiona que a briga ocorra num momento crucial para a reforma da previdência, na semana em que a comissão especial está sendo instalada na Câmara dos Deputados. Não fosse o filho do presidente, fazendo uso das redes do presidente, e todos diriam se tratar de sabotagem pura e simples.

Pode até ser. Mas não é essa sua intenção principal. Continue aqui para entender.