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Personal trainer, cota feminina no MBL, formadora de opinião dos meus cachorros e, nas horas vagas, lavo louça.
É sobre dinheiro sim, Jessie!

Jessie J desembarca em terras verde e amarelas em setembro para sequência de shows. Infelizmente a opção de compra “pay with love” não está disponível

04/07/2019 14h38

A cantora britânica, Jessie J, desembarca em terras verde e amarelas em setembro para sequência de shows. Infelizmente a opção de compra “pay with love” não está disponível.

O termo “socialista de Iphone” foi bastante utilizado para descrever um mercado específico nos últimos tempos. Basicamente são aqueles justiceiros sociais que nunca saem do sofá, mas se preocupam diuturnamente com a fome na África, sabe? Ou ainda aquele colega que adora botar a culpa do mundo no capitalismo malvadão. Todavia, usa o melhor Smartfone que, se vendido, poderia ajudar a alimentar algumas daquelas criancinhas do continente vizinho tão amado (que por falta de tempo, dinheiro ou qualquer outra desculpa, nunca foi visitado). Mas qual a ligação dessa galerinha com o show da Jessie? Vamos trocar essa ideia e espero que ao final do papo fique claro que você pode E DEVE cobrar pelo seu trabalho/talento, só não venha pregar uma filosofia socialista furada como se ninguém fosse perceber.

Vamos lá, primeiro é importantíssimo destacar que o talento da moça não está sendo colocado em discussão. Inclusive a considero brilhante, dona de uma condição vocal fora dos padrões, cheia de atitude, linda e ainda parece ser boa pessoa, visto que suas letras têm, muitas vezes, finalidade de incentivo/enfrentamento de problemas e blá  blá  blá. É o retrato da mulher “empoderada” rs. E justamente por considerá-la fora da mediocridade é que acredito que deva cobrar o que julgar justo por seu trabalho. Uns pagarão, outros não. E esse é o famoso “valor subjetivo do trabalho” (assunto para outro dia). O que noto ser incoerente e, às vezes, bastante hipócrita é a defesa de um pensamento socialista, mas em contrapartida, cobrar até 240 reais (MAIS taxas) por um show. 

Mais uma vez saliento que a crítica não é sobre a cantora. (Aliás, cogito seriamente não pagar uma conta de telefone esse mês para ficar bem pertinho dela no dia). A crítica é sobre a atitude que muitos artistas têm de vomitar regras na sociedade – no entanto participam ativamente de um mercado que demonizam. Passam a ideia de que existam fórmulas mágicas para salvar a humanidade. Ledo engano. Mais: basta expressar o contraditório, que logo você está errado. E o pior? Nunca tem cunho político, viu? É tudo sempre uma grande coincidência.

Outro ponto é perceber que em nenhum momento o trabalho foi subjugado. Acredito na importância da arte para nos tirar desse mundo louco de vez em quando. Um filme, uma música e um quadro podem fazer verdadeiros milagres na vida de alguns. Porém, não venham me dizer que “it’s not about the money”, porque é sobre dinheiro, sim. E quando não é sobre grana… é sobre poder. De qualquer forma, se você ainda acha que não, fica a sugestão de tentar pagar o seu ingresso com “amor”. Boa sorte!

Sendo assim, apenas mais honestidade no debate de narrativas contra o capitalismo, senhores. Querem criticar? Ao menos façam com coerência e parem de achar que ninguém percebe as hipocrisias. Afinal, o que poderia ser mais baixo do que isso? Talvez, fingir ir à missa aos domingos…