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Professor de filosofia, jornalista e diretor do movimento Neoiluminismo. Entusiasta da filosofia, [geo]política, economia e literatura.
E agora, quem poderá nos defender?

É claro, nossos aliados Yankees, o amigo de Eduardo Bolsonaro, Donald Trump

23/08/2019 16h31

O cenário geopolítico teve algumas alterações nesta semana, modificando relações e poderes dos grandes líderes mundiais. Tudo isso causado pelas queimadas na América Latina, mas com enfoque principal no Brasil.

Sim, muitas queimadas aconteceram na Bolívia e no Paraguai, como mostram os dados do INPE, mas as celebridades e grandes figuras da política resolveram focar no Brasil. Isso não é atoa, o presidente Jair Bolsonaro abriu brechas para ser atacado com suas declarações.

O problema é muito maior do que parece. Macron está somente usando a repercussão do caso para engrandecer novamente sua imagem, mas existem outras entidades e lideranças da política internacional que se manifestaram.

Para entendermos a dimensão do problema, basta ver o noticiário. A Finlândia, que tem a presidência rotativa da União Europeia (UE), propôs que o bloco banisse a importação de carne brasileira por causa da devastação causada por incêndios na Amazônia.

Ou seja, a “cabeça” atual da UE está propondo encerrar parte do comércio com o Brasil. O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou o G7 para discutir o caso da Amazônia, contanto com apoio de Angela Merkel . Agora o novo primeiro ministro da Inglaterra, Boris Johnson também apresenta preocupação com o caso.

Isso vai muito além de política ambiental, trata-se de um jogo de poderes no cenário mundial e quem está isolado é o Brasil. Todos estão embarcando na onda contra o desmatamento na Amazônia, até mesmo a Venezuela.

Há um jogo mundial de narrativas, uma mudança de lados com forças importantes da política. A onda verde da Europa está vindo de encontro com o Brasil e irá devastar o país.

E agora, quem poderá nos defender? É claro, nossos aliados Yankees, o amigo de Eduardo Bolsonaro, Donald Trump.

Bom, seria intuitivo pensar isso, mas é pouco provável que os EUA se mobilize para defender o Brasil, tendo boa parte do mundo contra o país. Não há nenhum proveito para Trump fazer isso e, como sabemos, Trump não faz nada que não gere algum benefício para ele.

Na verdade, o presidente americano tem muito a perder se ficar do lado do Brasil. Curiosamente, duas semanas atrás, Trump anunciou um novo acordo segundo o qual a UE aceitará um alto número de exportações de carne bovina americanas, uma medida que certamente aumentará os lucros para os agricultores e indústrias afins.

Estranhamente, os EUA também vêm assumindo uma postura de política preocupada com o meio ambiente e a sustentabilidade.

A situação do Brasil no cenário mundial torna-se delicada. Bolsonaro caiu na jogada de Macron e assumiu o papel de grande vilão contra o ambientalismo, que é a nova tendência mundial. Independente do maquavelismo, o único que sai perdendo é o Brasil, sendo hostilizado por aceitar vestir a carapuça do desmatador.

Não podemos aceitar que nossa imagem seja falsamente deteriorada no exterior, o Brasil precisa aprender a fazer diplomacia, saber como se comportar com o mundo, deixar de ser uma piada e alvo de franceses que usam o país de trampolim eleitoral.