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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Crise com Bebianno denota governo paralelo; Bolsonaro precisa dar fim à palhaçada em nome das reformas

O partido do Bolsonarismo paira no ar; PSL é o último dos seus refúgios

15/02/2019 00h45

A crise política envolvendo Gustavo Bebianno, Secretário Geral da Presidência da República, traz aos holofotes não apenas os métodos pouco ortodoxos de fritação pública da família Bolsonaro. Mostra, também, que o centro de poder que determina a tomada de decisões do governo não se encontra no Planalto, como esperado, mas fora dele. Os fãs mais exaltados diriam que acima. Distante, entretanto, concordariam todos.

O grupo político que elegeu Bolsonaro tem medo de concorrência. Ataca de forma suja e implacável quem considera um estorvo para seus objetivos. Foi assim com o analista político Alexandre Borges, em 2017; é assim com Gustavo Bebianno, Paulo Marinho, General Mourão e quem mais se tornar inconveniente.

Exercem seu poder de fora da Esplanada dos Ministérios. Um eixo traçado entre Brasília, Richmond — lar de Olavo de Carvalho —, e a Câmara dos Vereadores do Rio de janeiro compreende o centro de poder que atua nos bastidores e executa a defesa pública do governo, bem como o ataque — também hepaticamente público — a seus ex-aliados e opositores.

O filósofo Olavo de Carvalho nega seu status de membro do governo, ainda que os ministérios das Relações Exteriores e da Educação estejam umbilicalmente atrelados aos seus comandados. Em Richmond, parlamentares do PSL e assessores — incluindo nomes ligados a Onyx Lorenzoni — receberam treinamento e instruções do pensador paulista.

Do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro não reprime sua húbris, e exorta investidas contra os inimigos da revolução. Jornalistas, liberais, ativistas e membros do governo são os alvos favoritos do vereador. O “pitbull” gasta seus latidos contra figuras da direita com especial intensidade; o filho favorito comporta-se como polícia política, decidindo quem presta ou não no setor conservador.

São todos parte da ala ideológica, que compreende Eduardo Bolsonaro, Filipe Martins, Ernesto Araújo, o time lotado na Apex, os enviados de Carlos para a Secom, o recém-chegado Onyx Lorenzoni, o primeiro e segundo escalões da Educação e sabe-se lá quantos deputados federais do PSL. Junto a eles temos um conjunto de blogs e perfis de Twitter, youtubers, grupos de WhatsApp e Facebook — altamente engajados —, perfazendo uma teia hierárquica que representa o tecido político do VERDADEIRO PARTIDO DO PRESIDENTE.

Esse partido opera nas nuvens, como manda os jargões do mundo da tecnologia. Não é sólido e burocrático — até por isso incompreensível para seus opositores. Militares tomam baile nas guerras de narrativa, e a velha política acha que os assusta mandando recados através da imprensa. O modelo é virtuoso; o que atrapalha são os objetivos. Brasília inteira farejou as intenções do campo majoritário do Bolsonarismo. E tem horror à política de uso e descarte, com requintes de crueldade, exposta nos recentes conflitos internos.

As experiências últimas demonstram que Bolsonaro anuiu com as investidas dos ideológicos. É um erro. Se não tomar as rédeas do próprio governo, será conduzido a um pandemônio político por seu núcleo mais íntimo. A sabotagem à Previdência, a adesão ao “Fora Temer” e o papel preponderante na “Revolução Caminhoneira” demonstram que o grupo tem especial apreço pelo caos enquanto método. E convenhamos…deu certo na campanha. Funcionará no governo?

O “mito” eleito foi um meme confiante, altivo, de dedo em riste simulando uma pistola. Traria soluções simples e fáceis para um país angustiado por respostas. No mundo real, entretanto, isso não existe. Como diria o poeta, “Memes vem e vão como aves de arribação“. Se quiser durar — e prosperar — Bolsonaro terá que ser sólido. Fará escolhas difíceis. Desagradará amigos e familiares. Em suma, terá que ser presidente.

Torcemos para que ele escolha o caminho da temperança. O Brasil não elegeu um militar para viver na bagunça.