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Professor de filosofia, jornalista e diretor do movimento Neoiluminismo. Entusiasta da filosofia, [geo]política, economia e literatura.
Como Macron pretende usar a Amazônia para recuperar sua imagem

O presente que Bolsonaro entregou para o presidente francês

23/08/2019 15h08

Franceses fizeram mais de 23 protestos seguidos contra o governo de Emmanuel Macron na França. A popularidade do governante não estava muito boa desde o ano passado.

O país também enfrentou problemas com sua imagem internacional quando a catedral Notre Dame ficou em chamas. É claro, isso cai no colo do presidente, que contou com a sorte para receber o apoio financeiro de doadores das instituições privadas.

Na reunião do G20 deste ano, o líder francês ficou encolhido entre os líderes mundiais. Apesar de tudo, usou recursos como o Acordo de Paris e preocupações ambientais para se destacar nas negociações do acordo com o Mercosul.

O fato é que Macron estava com a imagem péssima na França e no cenário internacional. Não tinha muito onde se agarrar para levantar novamente sua popularidade e garantir uma reeleição. Talvez garantir a continuidade de seu próprio mandato.

Aparentemente, o presidente francês viu uma oportunidade no G20. A política verde, que não é ruim, pode ser a alavanca que irá reerguer a imagem de Macron. Todavia, isso seria insuficiente para a desgastada imagem do presidente.

Mas o “Deus ex machina” chegou para salvar Macron. O aumento no desmatamento da Amazônia realmente aconteceu, mas seria uma situação que poderia ser contornada pelo governo brasileiro, porém, ao invés disso, o presidente Jair Bolsonaro resolveu entregar um presente para Macron.

As declarações de Bolsonaro contribuíram para um clima de tensão entre as relações do Brasil com outros países, principalmente da Europeus. E Macron não poderia deixar de aproveitar a oportunidade para crescer sua imagem no mundo e principalmente na União Européia.

Não demorou e o presidente francês conseguiu convocar uma reunião para o G7, que irá discutir a questão da Amazônia. Logo em seguida a Finlândia, que tem a presidência rotativa da UE, afirmou nesta sexta-feira que pretende encontrar uma forma de fazer o bloco banir a importação de carne brasileira por causa da devastação causada por incêndios na Amazônia.

É nessa onda que Macron pretende surfar e ganhou na loteria quando a Amazônia começou a pegar fogo. Ofuscar o vexame do G20 e tentar garantir uma reeleição. A política verde é importante, mas não pode ser usada como oportunismo eleitoral.