Acadêmica de Direito. Curiosa, inquieta, eclética.
Como a modernidade relativizou o que é arte: afinal, beleza importa?

Abandonamos a acepção tradicional de beleza e caímos no culto à feiura de uma arte desalmada a partir da má interpretação de Duchamp

14/02/2020 19h06

Parte 1: o belo, a arte e a vida humana

Desde o princípio da sua história, o hominídeo se utilizou de manifestações artísticas para se expressar. Lembramos bem das danças, rituais, e principalmente da arte rupestre, que marcou o período Paleolítico. É fato que, historicamente, a arte foi aplicada com diversas finalidades. Uma vez que a substância desse texto é a beleza, nossa análise partirá da arte greco-romana, desenvolvida ainda entre os séculos VIII e V a.C.

A noção de beleza da estética grega foi extremamente influenciada pelo pensamento filosófico da época. Com base principalmente nas ideias de Platão e Aristóteles, o belo na arte clássica estava estritamente ligado à simetria, à harmonia das formas e das cores e ao equilíbrio das proporções. O que se repetiu no Renascimento, movimento cultural que nasceu na Itália do século XIV, e se difundiu por todo o continente europeu pelos séculos seguintes. Mais tarde, temos um novo resgate do tecnicismo, através do Neoclassicismo ou Academicismo, entre os séculos XVIII e XIX.

As semelhanças entre os movimentos artísticos supracitados estão na valorização do realismo das formas, os temas ligados à natureza e à mitologia, e a junção das habilidades do artista com a técnica. Grandiosidade, leveza, riqueza de detalhes, equilíbrio das formas e beleza são palavras chave para entender a arte clássica.

 A beleza foi extremamente aceitada, defendida e admirada na antiguidade. Era uma espécie de virtude, que, como defendeu Scruton na modernidade, nos aproximava do bem e da verdade. A arte, até o início do século XX, foi guiada pela criatividade e habilidade do artista e pela beleza das suas criações. Foi principalmente a partir da segunda década do século XX que a finalidade da arte passou a ser a excentricidade, a originalidade, a autenticidade, independente da sua forma. A nova arte criou uma nova moral, uma nova ética. Seu objetivo era, no final das contas, perturbar padrões.

Em seu documentário “Why beauty matters?”, Roger Scruton alega a existência de dois fatores inerentes à modernidade, que seriam os responsáveis pelo surgimento da “nova arte”, da arte moderna como ela é. O primeiro é o culto à feiura, que nos distancia da beleza e leva a arte à perda do seu real sentido, que é consolo das tristezas da vida humana, a criação de um elo com o divino, a contemplação. O segundo, o culto à utilidade. Esse deposita o valor das coisas inteiramente na sua utilidade. Na concepção moderna, a beleza e a arte não possuem utilidade. Para Scruton, tal qual afirmava Oscar Wilde, é justamente nisso que reside sua importância. Em suas palavras, nós precisamos do inútil tal qual, ou até mais, que do útil.

O fato é que a maior parte dessa arte ofensiva na realidade não é arte. Essa reprodução do cotidiano, das banalidades, do caos, não transforma algo em arte. Aqui, deixarei algumas obras que fazem parte desse movimento que acredita que se o artista afirma que algo é arte, a força da linguagem o transforma em masterpiece. Martin Creed, The Lights Going On and Off (basicamente, uma luz que acende e apaga); Carl Andre, Equivalent VIII (uma pilha de tijolos); Tracey Emin, My Bed (uma cama desarrumada).

Se a arte é apenas uma ideia, qualquer pessoa pode ser um artista e qualquer objeto pode ser uma obra de arte, sem que haja necessidade de habilidade, gosto ou criatividade.”

A arte deve transparecer a beleza para que volte a ser arte. Nada precisa ser inventado, afinal, historicamente, artistas, filósofos e intelectuais defenderam e praticaram a arte em seu real sentido, que é atribuir significado à vida humana, remediar o caos do nosso cotidiano, afirmar a contemplação e a alegria.

Parte 2: o impacto da Fonte de Duchamp na arte e a crença desconstrucionista

Que a arte moderna é um grande movimento desconstrucionista nós já sabemos. Mas quem foi o precursor da arte autocentrada?

Em 1917 o pintor, escultor e poeta Marcel Duchamp inscreveu sua obra Fonte numa exposição de artistas independentes em Nova Iorque. Sua masterpiece era, na verdade, um urinol, assinado por “R. Mutt”. Usando suas obras de arte como instrumentos de contestação, Duchamp se tornou um grande nome do dadaísmo.

Com sua obra Roda de Bicicleta, de 1913 ele iniciou um conceito de ready-made, que consistia basicamente na utilização de objetos prontos ao invés da elaboração da obra pelo próprio artista. No entanto, pela própria natureza de ironia e contravenção da Fonte, é essa a obra que marca o rompimento com a arte tradicional sucedido no século XX.

 “Não obstante, talvez por atender a uma necessidade da época, foi o ready-made que ditou o rumo predominante na arte internacional das cinco últimas décadas, marcada muitas vezes por manifestações em que a rebeldia se confunde com o niilismo e, particularmente, com a negação da própria arte” Ferreira Gullar para a Folha de São Paulo, em 2007.

O grande problema desse rompimento é justamente a crença moderna de que o caos não deve ser consolado pela contemplação da beleza, antes deve ser exposto. A intenção de Duchamp era simplesmente de um gesto satírico, e o erro da modernidade foi interpretar que a partir dele qualquer coisa poderia ser arte.

É válido ressaltar que até o conselho do museu londrino Tate Modern adotou uma posição de rejeição à Fonte de Duchamp. “Pode ser um objeto muito útil em seu lugar, mas seu lugar não é em uma exposição de arte e ele não é, de forma alguma, uma obra de arte”.

Parte 3: a arte e a beleza na aproximação com o divino

 “Contemplando a beleza com os olhos da mente, você será capaz de nutrir a verdadeira virtude e se tornar amigo de Deus.” Platão

Ainda na Atenas do século IV a.C, Platão já argumentava que o belo é um sinal de uma ordem superior. Para a recente civilização ocidental, a experiência da beleza era uma forma de aproximação com o divino, e a ideia de que o belo era a revelação de Deus durou dois milênios. Apenas a partir da Revolução Científica do século XVII, tais ideias passaram a ser duramente questionadas.

A reflexão acerca do que seria o belo e da sua própria existência existe há muito tempo. Esse questionamento faz parte da chamada filosofia da arte ou estética, que investiga os fundamentos da beleza e da arte.

Para Platão, a beleza é uma experiência não só mental, mas espiritual. De certa forma, a arte nos conectaria com o divino. Esse pensamento tem um sentido ainda mais forte se pensarmos no Barroco. O fato é que existiu um movimento onde a emoção predominou sobre o racionalismo, onde a arte foi uma ferramenta para difundir o catolicismo, assim  como para ampliar sua influência, onde a Igreja revigorou seus princípios e doutrinas, com uma intensidade expressiva sem igual. Artistas como Michelangelo, Tintoretto, Andrea Pozzo e Bernini, na península Itálica, criaram um movimento artístico totalmente voltado para o céu.

No Brasil, o Barroco está estritamente ligado ao catolicismo. Há diversas igrejas construídas nesse estilo, que vão de Salvador a Minas Gerais. Nesse contexto, o expoente do Barroco brasileiro foi Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Não há como negar o elo existente entre a arte e o divino. Ao observarmos pinturas, esculturas, cúpulas e vitrais ligados à temática religiosa, torna-se simples entender porque Platão acreditava que a beleza nos aproxima do divino. Não há como comparar um urinol à arte que se abre para o céu.

Seguindo com as colaborações especialíssimas que tenho tido a honra de trazer, dessa vez dividirei “a pena”, nas palavras dele, com Tiago Pavinatto. De uma genialidade imensurável, é Advogado, Me. e Dr. pela FDUSP. Uma honra escrever com você!

Falar de Beleza não é uma tarefa simples, especialmente nessa era de quebra dos paradigmas, inclusive aqueles mais ancestrais, processo que não respeita, por mais absurdo que possa parecer, nem mesmo os padrões científicos, especialmente os biológicos. Para a tola militância progressista, tudo é bonito – e não nos espantemos se, amanhã, exigirem que uma obesa mórbida seja declarada miss universo.

Mas o que é Beleza?

Nem na antiguidade existiu um conceito uníssono.

A Beleza em Platão: As primeiras lucubrações sobre a beleza estão em Platão, para quem a beleza de qualquer ser material varia conforme a menor ou maior comunicação sua com a Beleza Absoluta, pura, imutável, eterna, mas presente apenas no suprassensível mundo das ideias, acessível somente por um caminho místico. Mas como identificar a beleza no mundo fenomênico? Para Platão, a beleza é aquilo que causa enlevo, arrebatamento, prazer, deleite.

A Beleza em Aristóteles: Aristóteles rompe com o pensamento platônico e sustenta que a beleza decorre de certa harmonia ou ordenação existente entre as partes de um objeto entre si e em relação ao todo. Ele ainda ressalta a diferença entre Beleza e Belo, pois este exige, segundo seu pensamento, a grandeza entre outras coisas.

Nessa análise da ordem, da harmonia e do equilíbrio, o estagirita apresenta um conflito entre a harmonia e a desordem quando, ao discorrer sobre a comédia, gênero da arte literária tida como imitação de homens inferiores e viciosos, admite a desordem e a feiura como elementos aptos a estimular a criação da Beleza através da Arte.

Já no exame da fruição da obra de arte, Aristóteles reflete sobre as características da Beleza do ponto de vista do sujeito, permitindo que se conclua que o realismo de sua arte quase que matemática não é voz da simples imitação, mas a revelação da verdadeira essência das coisas. A arte, portanto, é um depoimento do mundo contida numa realidade transfigurada, cuja Beleza provoca um prazer estético decorrente de simples apreensão, gratuita e sem esforço, pelo espírito de quem a contempla.

A Beleza em Plotino: Plotino reage a Aristóteles e se envereda pelo caminho platônico para definir a beleza não como uma harmonia, mas como resultado do domínio da forma sobre o obscuro da matéria, pois é luz que dança sobre a harmonia, o que parece uma tentativa de síntese entre a luz platônica e a harmonia aristotélica.

A Beleza em Santo Agostinho: O ir e vir entre idealismo e realismo ultrapassa a antiguidade e continua a influenciar conceitos. No pensamento de Santo Agostinho, encontramos outra síntese dos grandes filósofos gregos: a beleza de qualquer objeto material está na harmonia das partes unida a certa suavidade de cor.

A Beleza em São Tomás de Aquino: São Tomás de Aquino não aceita padrões ideais platônicos nem considera a proporção aristotélica, ressaltando o papel da intuição criadora e da imaginação para a criação e a fruição da beleza, que pode ser definida como aquilo que agrada à visão. Tudo aquilo que, pelo simples fato de ser captado numa intuição, deleita. A beleza requer três coisas: (I) integridade ou perfeição, porque a inteligência ama o ser; (II) devida proporção ou harmonia, porque a inteligência ama a ordem e a unidade; (III) claridade, esta o caráter essencial da beleza (mas sem comunicação com um mundo ideal), porque a inteligência ama a luz e a inteligibilidade.

A Beleza em Kant: O problema da beleza em Kant é indissolúvel, pois ela fica sempre à mercê dos juízos estéticos (conforme o gosto, decorrem da reação pessoal do contemplador) e dos juízos de conhecimento (que emitem conceitos que possuem validez geral). O pensamento kantiano apresenta a beleza através de quatro paradoxos: (I) a beleza como satisfação personalíssima, mas que agrada universalmente sem conceito; (II) a Beleza como necessidade subjetiva que aprece como objetiva; (III) a Beleza como prazer desinteressado; e (IV) a beleza como causadora de uma satisfação determinada pelo juízo de gosto é uma finalidade sem fim.

Existe uma contradição fundamental e irrespondível a tal pensamento que nos é apresentada por Moritz Geiger: “Se o sentimento estético é realmente expressão de faculdades cognoscitivas de validez geral, não teremos que admitir também que em todos os homens os mesmos objetos devem provocar o sentimento estético adequado (…)? E se esta consequência é correta, não se poderia, do mesmo modo, assinalar, teórica e conceitualmente, qual deve ser, no objeto, a condição apta a suscitar o livre acordo das faculdades cognoscitivas?”

Kant destruiu a ideia de estética, pois permite concluir que a beleza não está no objeto, mas é uma construção do espírito de quem o vê, tornando impossível qualquer julgamento das obras de arte.

A Beleza em Schiller, Schelling e Hegel: No campo da estética idealista alemã, Schiller reage a Kant e procura conciliar o objetivismo tradicional com o subjetivismo kantiano. As ideias de Schiller influenciaram Schelling, que promoveu um retorno neoplatônico esboçando a distinção entre a beleza transcendental ou absoluta e a beleza estética ou reflexa. Com mais rigor de pensamento, a teoria de Schelling foi aprofundada e sistematizada por Hegel, que aceita a beleza como um “modo de exteriorização e representação da verdade”.

Para Hegel, arte, religião e filosofia são etapas fundamentais do caminho do homem à procura do absoluto, estando arte e religião contidas na filosofia como tese e antítese de uma síntese.

Sobre a Arte:

Diante de diversos e diversificados entendimentos sobre a beleza, na esteira da síntese de Ariano Suassuna, não podemos, em nosso tempo, entender a Arte somente como uma tentativa mágica de capturar o real, nem uma forma de conhecimento, nem é apenas resultado de traumas, neuroses e frustrações do artista. Ela é tudo isso e mais alguma coisa. A inteligência está presente na Arte, mas o papel fundamental, na criação artística, é desempenhado pela imaginação criadora.

Para o saudoso acadêmico e inigualável escritor, na Arte, o conhecimento não é científico, é “poético, concreto e resultante da simples apreensão, quando a inteligência, movida pela beleza do que apreendeu, se põe naturalmente e sem esforço a refletir sobre o que viu.”

Por sua vez, Roger Scruton, cuja análise é mandatória no assunto, discorre sobre a Arte como tipo funcional que, a exemplo das piadas, possui uma função dominante, função que as obras podem cumprir de modo recompensador, ofensivo ou humilhante, ou, ainda, ineficaz. Salienta que as obras de arte das quais nos lembramos são as recompensadoras, que estimulam o pensamento, enriquecendo o espírito e oferecendo consolo e inspiração, enquanto que os fracassos desaparecem da memória. Nesse sentido, o bom gosto é essencial à Arte.

Marcel Duchamp, a “Fonte” da discórdia:

Scruton assinala que “a piada de Duchamp precipitou uma indústria intelectual que procurou responder à pergunta: ‘O que é arte?’. A literatura dessa indústria é tão entediante quanto as incessantes imitações do gesto de Duchamp. Não obstante, ela nos deixou um resíduo de ceticismo. Se tudo pode ser considerado arte, qual o propósito e o mérito de conquistar esse título?”

Essa leitura, ainda na esteira de Scruton, quis “libertar o homem do fardo da cultura, revelando-lhe que cada uma de nossas veneráveis obras-primas pode ser ignorada (…), que as novelas televisivas são ‘tão boas quanto’ Shakespeare e que Radiohead é igual a Brahms”; inaugura, por fim, o relativismo cultural.

Fim da Arte?

Para a resposta, é utilíssima e essencial a comparação que Scruton faz entre obras de arte e piadas: “Tudo pode ser piada se assim o disserem. Uma piada é um artefato feito para suscitar o riso. Ela pode ser incapaz de desempenhar sua função, caso em que a piada ‘não funciona’. Ou, então, pode funcionar corretamente ou de modo ofensivo, e aí dizemos que se trata de uma piada de ‘mau gosto’. Nada disso, porém, sugere que a categoria das piadas seja arbitrária ou que não existam distinções entre uma piada boa e uma piada ruim. (…) o urinol de Marcel Duchamp não passava de uma piada muito boa quando contada da primeira vez, mas já estava fora de moda quando das caixas de Brillo de Andy Warhol e que hoje soa claramente estúpida.”

Disso, temos que a Arte deve transparecer a Beleza para que volte a ser arte, muito embora algumas das obras mais significativas da humanidade mostrem-se feias ou ofensivas, mas tocam em pontos sensíveis como Guernica de Pablo Picasso.

Todavia, infelizmente, o diagnóstico de Scruton é sombrio: “A beleza está sumindo de nosso mundo porque vivemos como se ela não se importasse, e nós vivemos dessa forma porque perdemos o hábito do sacrifício e buscamos sempre evitá-lo.”

Sintomático o silenciar da métrica, das rimas ricas e preciosas e de tantos recursos de linguagem ante o “batidão” que celebra a vulgaridade e afasta, cada vez mais, a humanidade da virtude. Se repararmos bem, a decadência artística de nosso tempo está de mãos dadas com as decadências intelectual e política, corolários que são, todas, da dessacralização do mundo.

Referências:

  1. O Papel da Arte na Construção da Beleza – Por Ana Staut https://medium.com/coletivotangente/o-papel-da-arte-na-constru%C3%A7%C3%A3o-da-beleza-a1832f533834
  2. Why beauty matters? Por que a beleza importa? Por Roger Scruton https://www.youtube.com/watch?v=W5tuGjzXJ9k&t=14s
  3. Visão das artes segundo Platão e Aristóteles – Por Lívia Machado https://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/enem/2016/08/12/noticia-especial-enem,793593/dia-nacional-das-artes.shtml
  4. O conceito de belo na estética grega – Por Eduardo Vilas Bôas https://www.audaces.com/o-conceito-de-belo-na-estetica-grega/
  5. A ‘Fonte’ de Duchamp faz cem anos. Qual foi o impacto (e o legado) do mictório como obra de arte – Por Juliana Domingos de Lima https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/05/A-%E2%80%98Fonte%E2%80%99-de-Duchamp-faz-cem-anos.-Qual-foi-o-impacto-e-o-legado-do-mict%C3%B3rio-como-obra-de-arte
  6. BARRETO, Andre Assi. “A Beleza Como Valor Universal”. Revista Filosofia Ciência&Vida, São Paulo, ano VII, n°73, p. 24-31, agosto, 2012 http://www.puggina.org/artigo/outrosAutores/roger-scruton-e-a-beleza-como-valor-universal/10822
  7. GEIGER, Moritz. “Estética: Los Problemas de la Estética. La estética Fenomenológica”. Buenos Aires: Editorial Argos, 1946.
  8. SCRUTON, Roger. “Beleza”. São Paulo: É Realizações, 2013.
  9. SUASSUNA, Ariano. “Iniciação à Estética”. 15ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.