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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Com PSL como base, quem precisa de oposição?

Alguém precisa dar um jeito nos patriotas do PSL. Desse jeito o PT fica com inveja…

30/05/2019 14h29

Estou ainda estupefato com as aventuras legislativas do Partido Social Liberal — vulgo partido do presidente — nesses conturbados 6 meses de mandato. A despeito de eventuais escândalos de laranjas e gastos excessivos em seus gabinetes, o pior do partido reside justamente naquilo que tanto renega e discursa contra: a boa atividade política.

Nesse quesito, o partido é uma desgraça ambulante. A semana nem terminou e foi marcada por demonstrações claras de seu oportunismo rasteiro e — por que não? — de um corporativismo capaz de fazer corar o centrão. Sim amigos, partiram do PSL emendas à reforma da previdência demandando privilégios para oficiais de justiça — como no caso de Charles Evangelista (MG) — e “agentes penitenciários e socioeducativos“, via Marcelo Freitas, também mineiro.

Me pergunto: eles não estavam nas ruas pedindo a aprovação da reforma de Guedes sem alterações? Não era esse o mote das manifestações?

A fanfarronice não parou por aí. No plenário da última quarta-feira, o patriota Julien Lemos, conhecido por ser o principal representante do Bolsonarismo no Nordeste, meteu uma cabeçada em um colega do PSD, Expedito Netto, e será enviado ao conselho de ética. Julien trabalhou com segurança privada e já teve seus arroubos de valentia com uma ex-mulher, que lhe levou à cadeia. Tudo normal. Como ele jura lealdade ao presidente — menos na hora de negociar apoio à reforma — não terá “youtubers de direita” promovendo linchamento virtual contra sua pessoa. Faz parte.

Achou muito? É porque não viu o show de horrores orquestrado pelo partido na noite de ontem por conta da palavra “gênero” contida na MP871 — originária, lembremos, do governo federal. Parlamentares da agremiação patriótica exigiram aos gritos a substituição do termo por “sexo”, fazendo com que a sessão demorasse 40 minutos além do previsto — quase levando o governo a mais uma humilhante derrota.

É importante lembrar que o uso do termo “gênero” ou “sexo” não faz diferença alguma na MP em questão, e tampouco incentivará “troca de sexo” ou coisas do tipo. Os deputados em questão, com celulares em mãos, estavam mais preocupados em “mitar” nas redes sociais do que aprovar uma importante iniciativa do governo que juram — de joelhos — defender todos os dias.

Obviamente, os parlamentares da legenda “social liberal” estavam nas ruas no último domingo, fazendo arminhas com as mãos, dispostos a amealhar apoio eleitoral para seus candidatos em 2020. É pra isso que servem, afinal. A população, ainda inebriada, não percebe o circo que foi armado ao seu redor…