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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Com Frota, Joice e Tabata, ‘novo PSDB’ tenta ser ainda pior que o velho

Se confirmados os convites, a construção pretendida soa mais como circo itinerante do que qualquer coisa imaginada pelo gestor.

22/07/2019 12h06

João Doria Jr, em sua cruzada eleitoral para 2022, atira para todo lado e acerta em si mesmo. Tentando estabelecer lógica própria num partido que desrespeitava a lógica, demonstrou que em seu projeto cabe tudo — menos a lógica.

Primeiro temos o convite à Tabata Amaral. A jovem pedetista pode ter surpreendido a muitos com seu voto favorável à reforma. Para mim, apenas confirmou seu projeto de poder ao apoiar destaques corporativistas para professores, categoria que almeja ter como feudo. João Doria, raposa do marketing, não perdeu tempo. ‘Tabata é a cara do PSDB‘ , afirmou o tucano. Errado. O partido sempre votou melhor que ela na Câmara dos deputados.

Tabata, em grande medida, representaria um retrocesso corporativista numa bancada mais inclinada à uma agenda liberal. Ainda assim, poderiam dizer que ‘Tabata é a cara de uma nova social democracia‘, o que agradaria os setores progressistas — e minoritários — do partido. O problema é que são eles os primeiros a denunciar a (suposta) ‘escalada liberal’ de Dória. Não é pra fazer sentido.

Não feliz com a manobra, Doria convidou o ex-ator pornô e arauto da velha nova política Alexandre Frota para compor o novo velho PSDB. ‘Quero muito que você esteja conosco‘ , afirmou o governador em áudio para o deputado. Prometeu colocar Bruno Araújo para cuidar do caso.

O patriota das brasileirinhas ganhou destaque por abdicar — sem antes ter usado à exaustão — dos grupos sectários e radicais do governo, ligados a Olavo de Carvalho. Faz sentido. Frota está lá pelo business; os radicais por seu projeto…transcedental. João Doria apresentava o ‘Show Business’. Ele gosta do business. Natural a aproximação.

Com Joice o namoro é mais antigo. A jornalista-deputada mantém um pé em cada canoa, ora acenando para o governador, ora acenando para o presidente. Quer ser prefeita de São Paulo — com o apoio do tucano-mor — num projeto político que agrada à ala ‘pragmática’ do PSL. Joice se coloca como ‘séria’ e ‘fazedora’, com apetite de ‘Bolsonaro de saias’; tem projeto próprio, mesclando a histeria bolsonarista com ares de negociadora. Na ânsia de levar todos na conversa, pode terminar falando sozinha.

O PSDB sempre teve muitos defeitos. Não satisfeito em mantê-los, Dória parece disposto em trazer para dentro o problema de outros partidos — notadamente o PSL. Identificou apenas um elemento comum nas figuras abordadas: sua capacidade de gerar mídia — e votos — no menor espaço de tempo possível. Imagina — com alguma razão — que irá tirar o partido do marasmo em que se encontra: ninguém fala deles, e quando falam, não é bom.

Dória não é um político. Está ali como ‘gestor’, e o objetivo da sua ‘gestão’ é a presidência da república. Para ele, o ‘novo PSDB’ é um projeto eleitoral — não um projeto de partido. Não irá fazer sentido ao longo do processo, mas quem se importa? Depois de 2022 ele resolve. Ganhando ou perdendo.

O PSDB é apenas mula de carga. Não que devemos nos importar — já vivemos tempos em que a classe media fora a mula de carga do PSDB. Conduzida por caixeiros viajantes, a mula-tucana cruza o Brasil agregando badulaques sem sentido.

Resta saber se a comitiva será identificada pelo eleitor como ‘partido político moderno e dinâmico’, como pretende Doria. Se confirmados os convites, a construção pretendida soa mais como circo itinerante do que qualquer coisa imaginada pelo gestor.