fbpx
Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Ciro quer ser Sugar Daddy de Holiday? Freud explica…

Procure um analista, Ciro.

25/06/2019 14h26

Tem coisas que não dá pra entender. Uma delas é a cabeça do pós-coronel Ciro Gomes, primeiro do seu nome, soberano da Sobrália , o não austero, pai das impressoras, limpador dos mil nomes.

Ciro tenta passar uma imagem de homem capaz, discorrendo sobre investimentos públicos e astrofísica com a fluência de um Keynes. Ou de um Carl Sagan. Ele não sabe escolher. Na dúvida, fica com todos.

Na manhã desta terça-feira, resolveu boquejar sobre a suspeição de Sérgio Moro enquanto juiz da lava jato. Interpelado por Coppolla, fez cara feia; a doutrina não diverge não! Impressiona a quantidade de minúcias que o pedetista ajunta na construção de suas falácias. Costuma funcionar. Tem quem caia.

Ainda assim, basta provocá-lo minimamente que a aura de Sábio do Sião cai e revela, impotente, um menino mimado e grosseiro pronto pra fazer birra. Caio Coppolla sabia disso. Jogou a armadilha — previsível, inclusive — e Ciro caiu. Mais: reforçou a cagada com a empáfia dos idiotas, incapazes de reconhecer seus erros e falhas.

Para quem não acompanhou, Ciro Gomes chamou novamente o vereador Fernando Holiday de Capitão do Mato. Dessa vez, com um agravante: Holiday é um capitãozinho do mato nazista. Vejam com seus olhos. Continuo abaixo.

O homem não se segura.

O destempero já soou como método. Não mais. Ciro realmente perde a cabeça quando fala de Fernando Holiday. Não se segura. Soma-se à alteração (hormonal?) uma estranha incapacidade de arrependimento, de culpa. Ciro faz merda e não volta atrás. É o meninão mimado de Sobral.

E é aí que me pergunto … qual a razão de tamanho descontrole? Ciro realmente odeia Fernando Holiday? Honestamente, acho bem improvável. Jamais se encontraram ao vivo. O movimento negro é tampouco raison d’être de sua atividade política. A bem da verdade, os negros servem apenas de ilustração retórica em suas exposições sobre desigualdade social. Nada além disso.

Julgando seu histórico político, me parece que Ciro tem algum tipo de fascínio libidinoso pela insubmissão de Fernando. Um homem acostumado ao servilismo de seu eleitorado, tratado como gado nas plagas dos Ferreira Gomes, não consegue compreender essa estranha emancipação de alguém que deveria — dadas suas condições raciais e sociais — arrastar-se aos seus pés.

Ciro tem especial prazer em se impor masculinamente sobre aqueles que considera seus súditos. Trata o povo do Ceará como se escravo fosse — devidamente amparado por capangas, claro –, enquanto porta-se como libertador dos mais pobres na imprensa ilustrada do centro sul. Veja no vídeo abaixo essa curiosa relação:

Incapaz de controlar o vereador paulistano, Ciro parece aproveitar-se das brechas dadas pela imprensa para destilar sua estranha tentação. Xinga, ataca, coloca o alvo carinhosamente no diminutivo. Fernando é um capitãozinho do mato , alguém que faz o senhor de Sobral salivar enquanto enfileira xingamentos mil em cadeia nacional. Ciro perde o controle por Fernando. Eu acho estranho.

O ex-governador já foi condenado pela justiça por declarações racistas contra Holiday. O processo já está em fase de execução. Nada indica que as novas declarações — ainda mais pesadas — tenham destino diferente. Ciro será condenado em montante ainda maior, a ser destinado diretamente para os bolsos do vereador.

Instintivamente, Ciro se converte numa espécie de Sugar Daddy de Holiday. É aquele tiozão velho, mal resolvido, que usa do dinheiro — por vias tortas e indiretas — para conseguir a atenção de sua presa. Ou não. Talvez ele seja só um idiota. É uma hipótese bastante plausível. Ainda assim, confesso que essa estranha tentação em atacar um rapaz que nem conhece, por uma postura que lhe causa tanto espanto, é algo a ser estudado.

Alguns acham que Ciro deve ir para o planalto.

Eu acho que Ciro tem que ir para o divã.