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Estudante de direito, jogador de futebol quando a dor nas costas permite e um liberal radical
Bolsonaro, Lava Jato e a encruzilhada

Acabou o amor?

26/08/2019 15h23

São novos tempos em Terra Brasilis. Finalmente as cores da nossa bandeira retornaram ao Planalto! Nos despedimos da ideologia vermelha que ali se instalou e fez do país um harém com os seus escândalos e ataques às instituições.

Fomos às ruas derrotar o PT, e vencemos! Em seguida, elegemos Bolsonaro, um presidente comprometido com os anseios populares; alguém que combate a corrupção e preserva a família e os valores patrióticos.

Clima de festa. Antes de assumir o cargo, excelentes nomes foram anunciados: Paulo Guedes, na economia, com uma política que certamente irá nos tirar da crise; Sérgio Moro no Ministério da Justiça; Tereza Cristina na Agricultura, dentre outros. A confiança no Brasil crescia tanto que investidores passaram a acreditar que, finalmente, o país havia entrado no século XXI.

E de fato, estamos entrando no século XXI – na questão econômica. Entretanto, algumas práticas do Presidente persistem antigas e torpes, dentre elas, o patrimonialismo. Traduzindo para as palavras do Presidente: “dar o filé mignon para o filho”.

Como se isso não bastasse…

Chegamos então no dia 25/08/2019. Em resposta ao projeto de Abuso de Autoridade, aprovado pelo Congresso Nacional em acordo com Governo, foi convocada mais uma manifestação. Dessa vez em apoio a operação Lava-Jato, ameaçada diante do projeto. Uma pauta um tanto quanto importante, reconheçamos. Ademais, o apoio ao presidente eram também tônica nas convocações.

Tudo isso é legitimo. Democracia, afinal, é um jogo de interesses, e todos devem expressá-los. Entretanto, há uma grande contradição em tudo isso: o boicote à Lava-Jato — tema da manifestação — vem do próprio Planalto. Bolsonaro, em resposta à ameaça a Flávio Bolsonaro, isolou o Ministro Sérgio Moro, tirou seu homem de confiança do COAF. Dentre resoluções mais graves, extinguiu o conselho e alterou a chefia da Polícia Federal no RJ, resultando na insatisfação geral da corporação. “Coincidentemente”, a mesma que investiga seu filho.

A militância fiel da Lava-Jato começou a enxergar que o presidente não é um grande entusiasta da operação. O governo, graças ao “paitrimonialismo”, está próximo de perder o seu maior núcleo de apoiadores. Sim, os “lavajateiros” (apoiadores da operação) são o maior núcleo de apoio do presidente.

O discurso contra impunidade e a corrupção é o coração de aço desse governo. Em última instância, foi seu principal cabo eleitoral. Além disso, a popularidade da Operação, responsável pela prisão de inúmeros corruptos, é muito maior que a do Governo Federal. Como mostram as pesquisas, a Lava-Jato tem 52% de apoio, enquanto o apoio ao Governo chega a 30%.

 Após a divulgação das conversas atribuídas a Sergio Moro e Promotores de Justiça durante a Operação Lava Jato, o índice de brasileiros adultos que aprovam o trabalho da operação recuou de abril a julho. No período, o índice de aprovação caiu de 61% para 55%, enquanto a taxa de avaliação regular cresceu de 18% para 24%. A taxa dos que desaprovam a operação ficou em 18% e a parcela que não opinou ficou em 3%.

Entre os que tomaram conhecimento das conversas entre o então juiz Sergio Moro e os Promotores de Justiça, 60% aprovam os trabalhos da Operação Lava Jato e 16% reprovam

Dado o exposto, é certo que o pai e presidente Jair Bolsonaro encontra-se em uma situação controversa. Abrir mão da sua maior base de popularidade, ou proteger o filho Flávio e manter o acordo firmado entre Planalto e Supremo?

É, amigos, o Brasil está numa encruzilhada: de um lado, o presidente com velhas práticas; do outro, um povo que anseia justiça. A existência de um depende da queda do outro. Optaremos por qual?