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Formado na Faculdade de Direito do Recife. Perdido entre a poesia de Manuel Bandeira e a de Marília Mendonça. Só bebo em copo americano.
Bolsolavismo, Girard e as Raízes do Brasil

Como Sérgio Buarque e a Rivalidade mimética podem ajudar a compreender a mentalidade do governo atual

19/06/2019 13h57

René Girard dizia que mais do que o objeto, o que desejamos mesmo é o lugar do outro que possui esse objeto.

Nós não queremos o que o outro possui, mas ser aquele outro que possui.

Sérgio Buarque de Holanda, em seu Raízes do Brasil, por sua vez, falava que em nosso país, a abstração, a impessoalidade (bases da República) são incompreensíveis ao brasileiro.
Nossa natureza é a da família, do afeto, da proximidade, enfim, do grupo.

Creio que esses dois autores são essenciais pra explicar a atuação da ala ideológica do atual governo.

O bolsonarismo ideológico rivaliza com o petismo. De fato.

Mas não porque discorde essencialmente do que o petismo fez. Mas porque foi o petismo que o fez e eles não.

É como se o princípe quisesse tirar a donzela do jugo do vilão. 
Não para dar a ela liberdade, mas para ser ele seu raptor.

O petismo usou o Estado como um porrete para agredir seus inimigos.
O bolsonarismo pretende fazer o mesmo.

Usar a máquina pública como instrumento contra as ideologias que lhe são adversárias.

Não é um Estado para o bem da comunidade, mas um Estado contra a esquerda.

Não é a República, mas o governo da direita (e não de direita), aproximando-se em várias matizes da tenebrosa ruína do governo Dilma, com o Planalto tomado por uma estética DCEzista.

Inúmeros são os exemplos do (ab)uso do Estado para fins particulares.
Seja para prejudicar inimigos pessoais (como no fiscal do IBAMA que multou bolsonaro há década); na promoção do filho de Mourão para um cargo elevado no BB; na guerra contra as universidades (não por motivo administrativo, mas ideológico); na irresponsabilidade nas mudanças do CTB para favorecer os caminhoneiros.; etc.

Agora, o Roberto Alvim, diretor de teatro, que por ser retaliado por apoiar Bolsonaro (o que é absurdo), ganhará um cargo no governo (o que é ainda mais absurdo).

O diretor, ao ser indicado para a Secretaria de Cultura, resolveu fazer um post em seu facebook, para conclamar artistas conservadores a fazer um banco de dados para gerar uma “Máquina de guerra cultural”.

Ao que tudo indica, é claro, haverá interpenetração entre sua função pública e a de líder de facção.

Mais uma vez, fica claro que a ala ideológica da direita não quer fazer uma revolução para chegar ao Estado ou para mudá-lo.
Ela quer usar o Estado para fazer uma revolução.

Há quem conteste, dizendo: o PT fazia o mesmo.

Sim, fazia.

A perguntar é a mesma do princípe da Disney que citei acima.

Queremos ser libertadores ou novos raptores?